‘O seu emprego não vai ser o mesmo daqui a cinco anos’, afirma pesquisadora sobre IA no trabalhoPara Michelle Schneider, o uso da automação não deve substituir empregos, no entanto, vai mudar os atuais cargos. Crédito: Edição: Larissa Kinoshita motion: Raul Carvalho, Coord de pós: Anderson Russo, Captação: Felipe Pedro, Produção: Vitória SchimdtzGerando resumoRIO - A taxa de desemprego aumentou em todas as Unidades da Federação na passagem do quarto trimestre de 2025 para o primeiro de 2026, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)PUBLICIDADEO instituto pondera que algumas dessas variações ficaram dentro da margem de erro da pesquisa, por isso não são consideradas estatisticamente significativas. Houve expansão de forma estatisticamente significativa em 15 das 27 Unidades da Federação no período.Na média nacional, a taxa de desemprego subiu de 5,1% no quarto trimestre de 2025 para 6,1% no primeiro trimestre de 2026. Em São Paulo, a taxa de desemprego passou de 4,7% para 6,0% no período.Amapá teve a maior taxa de desemprego do País, com 10% Foto: Adobe Os dados mostram um mercado de trabalho obedecendo à sazonalidade esperada para esse período do ano, avaliou William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE.Publicidade“É o resultado esperado para um primeiro trimestre a cada ano. Sempre no primeiro trimestre há um aumento. Isso aconteceu até na pandemia”, frisou Kratochwill. “Para todas as Unidades da federação houve um aumento, mas não é suficiente para ser estatisticamente significativo”, ponderou.No primeiro trimestre de 2026, as maiores taxas de desocupação: Amapá (10,0%)Alagoas (9,2%)Bahia (9,2%)Pernambuco (9,2%) e Piauí (8,9%).As menores ocorreram em:PublicidadeSanta Catarina (2,7%)Mato Grosso (3,1%)Espírito Santo (3,2%)Paraná (3,5%) e Rondônia (3,7%).Mulheres x homensA taxa de desemprego foi de 5,1% para os homens no primeiro trimestre, ante um resultado de 7,3% para as mulheres.“A taxa de desocupação da mulher é 43,1% maior que a dos homens. Mas a informação recente está mostrando tendência de redução de desigualdade na taxa de desocupação (por sexo)”, disse Kratochwill.Ele lembra que a taxa de desocupação das mulheres já foi 69,4% maior que a dos homens, resultado registrado no primeiro trimestre de 2012. A menor diferença ocorreu no segundo trimestre de 2020, em meio à pandemia de covid-19, quando essa distância ficou em 27,0%.PublicidadePor cor ou raça, a taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional para os brancos, em 4,9% no primeiro trimestre de 2026, muito aquém do resultado para os pretos (7,6%) e pardos (6,8%).Quanto à instrução, a taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto foi de 10,8%, quase o triplo do resultado para as pessoas com nível superior completo, cuja taxa foi de 3,7%.Renda recordeA boa notícia da pesquisa foi que a massa de renda do trabalho em circulação na economia atingiu patamar recorde no primeiro trimestre de 2026 em 15 das 27 Unidades da Federação. Para o total nacional, a massa de renda alcançou um ápice de R$ 374,819 bilhões no primeiro trimestre, alta de 0,6% ante o quarto trimestre de 2025. Em São Paulo, a massa de renda foi de R$ 106,974 bilhões no primeiro trimestre de 2026, ligeiro recuo de 0,2% ante o quarto trimestre de 2025.PublicidadeO rendimento real habitual de todos os trabalhos subiu a um pico histórico de R$ 3.722 no primeiro trimestre deste ano, alcançando patamar recorde em 16 das 27 Unidades da Federação.Desemprego de longa duraçãoNo primeiro trimestre de 2026, o País tinha 1,089 milhão de pessoas em situação de desemprego de mais longo prazo, ou seja, em busca de um trabalho há pelo menos dois anos. Se considerados todos os que procuram emprego há pelo menos um ano, esse contingente em situação de desemprego de longa duração sobe a 1,807 milhão. Apesar do contingente ainda elevado, o total de pessoas que tentavam uma oportunidade de trabalho há dois anos ou mais encolheu 21,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025.Leia tambémInflação, que mantém os juros nas alturas, é desafio em ano de eleição e melhora do emprego‘Apocalipse do emprego’ provocado pela IA é ‘pura fantasia’, diz empresa do Vale do SilícioOutras 718 mil pessoas buscavam emprego há pelo menos um ano, porém menos de dois anos, 9,0% menos indivíduos nessa situação ante o primeiro trimestre de 2025.PublicidadeNo primeiro trimestre de 2026, 3,380 milhões de brasileiros procuravam trabalho há mais de um mês, mas menos de um ano, 9,9% menos desempregados nessa situação do que no mesmo período do ano anterior, e 1,393 milhão tentavam uma vaga há menos de um mês, um recuo de 14,7% nessa categoria de desemprego do que no primeiro trimestre de 2025.