No Chile, o presidente José Antonio Kast propôs a criação de um bônus monetário de um milhão de pesos (quase R$ 5.500) para cada bebê nascido. Javier Milei culpou, em maio de 2025, a legalização do aborto pela queda de natalidade na Argentina. Na Colômbia, a jornalista Vicky Dávila tentou emplacar uma candidatura à Presidência trazendo a preocupação com o número de filhos por família para o centro do debate.
Esses exemplos mostram que a América Latina, cujas taxas de natalidade estão em rápido declínio —causando preocupações de uma crise demográfica que se avizinha— também entrou na rota do pró-natalismo. Da mesma forma que na Europa e nos Estados Unidos, o discurso incentivando famílias maiores e criticando práticas de restrição reprodutiva, como o aborto, vem associado a políticos da direita.
Por muitos anos, os latino-americanos enfrentaram o problema oposto: esterilizações forçadas, retóricas de controle de fertilidade e o mito da "bomba populacional". Conceito cunhado por Paul Ehrlich em 1968, a ideia neomalthusiana de que o mundo caminhava para uma inexorável fome em massa pelo aumento de nascimentos regeu as políticas de saúde reprodutiva por décadas em boa parte do mundo. Mais especificamente, nos países em desenvolvimento, vistos como responsáveis pela expansão desenfreada.








