Escalada da guerra comercial de Ottawa com os EUA aumentou a urgência da guinada estratégica do país em direção a outros parceiros comerciais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, descartou a possibilidade do país se tornar em membro associado da União Europeia — Foto: Jon Blacker/The Canadian Press via AP O Canadá busca uma “aliança única” com a União Europeia, mas não pretende se tornar membro do bloco, afirmou o primeiro-ministro Mark Carney no domingo, depois que o Wall Street Journal informou que ele avaliava a possibilidade de o país se tornar um “membro associado” da UE. O bloco europeu, que no passado não demonstrou flexibilidade em relação às regras de adesão, está aberto à ideia de conceder ao Canadá um status de membro associado que ainda precisaria ser criado, informou o jornal, citando autoridades não identificadas da UE e do Canadá. “Não estamos buscando nos tornar membros da União Europeia”, disse Carney. “O que buscamos — e sobre o que iniciaremos discussões — é uma aliança única entre o Canadá e a União Europeia”, disse ele a jornalistas no Festival Internacional de Cinema de Toronto. “Compartilhamos os mesmos valores, temos as mesmas prioridades e possuímos forças muito complementares.” O gabinete de Carney confirmou no sábado que ele viajará para França e Reino Unido na próxima semana. O premiê discursará no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e acompanhará o discurso sobre o Estado da União Europeia da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Separadamente, o jornal The Globe and Mail informou que foi a UE, e não Carney, que levantou a possibilidade de usar a denominação de membro associado, citando uma fonte anônima segundo a qual qualquer discussão sobre um título para definir a relação ainda é prematura. Porta-vozes da Comissão Europeia não responderam imediatamente a pedidos de comentário, mas o Parlamento Europeu informou nesta segunda-feira que abrirá um escritório de representação em Ottawa. Segundo a instituição, a medida “ressalta o compromisso do Parlamento Europeu de aprofundar o diálogo político e a cooperação com o Canadá”. A escalada da guerra comercial do Canadá com os EUA aumentou a urgência da guinada estratégica do país em direção a outros parceiros comerciais. As relações entre Ottawa e Washington se deterioraram acentuadamente desde que o presidente Donald Trump voltou à Casa Branca no ano passado, devido a divergências sobre comércio e outras questões. A disputa comercial levou à imposição de tarifas sobre dezenas de bilhões de dólares em transações entre os dois países. Trump voltou a criticar o Canadá no domingo, chamando-o de “o pior país com quem negociar”, embora tenha acrescentado acreditar que o país estava “desesperado para fazer um acordo”. “Eles vêm explorando nosso país há anos”, disse a jornalistas a bordo do Air Force One. O presidente americano reiterou sua intenção de impor novas tarifas sobre carros, caminhões e autopeças provenientes do Canadá a partir de 1º de janeiro. Canadá e UE discutem formas de permitir a livre circulação de bens, serviços e trabalhadores canadenses envolvidos em cadeias estratégicas de suprimentos, como energia, inteligência artificial, defesa e minerais críticos, o que na prática deslocaria a fronteira econômica da UE, segundo o Wall Street Journal. Canadá e UE também discutem a instalação de cabos submarinos, a construção conjunta de centros de dados, estruturas de armazenamento em nuvem e novas redes de satélites, além de infraestrutura para transportar energia canadense para a UE, informou o jornal. Carney tem conversado regularmente com vários líderes da UE, sobretudo com o presidente da França, Emmanuel Macron, sobre a possibilidade de permitir que canadenses morem e trabalhem na UE sem necessidade de visto, de acordo com o WSJ, que citou duas autoridades não identificadas a par do assunto. O gabinete de Macron não respondeu a um pedido de comentário. Separadamente, o gabinete do presidente francês confirmou que Macron se reunirá com Carney em 20 de setembro no território francês de Saint-Pierre e Miquelon, arquipélago situado próximo à costa atlântica do Canadá. Qualquer projeto para estreitar os laços entre Canadá e UE provavelmente enfrentará obstáculos, porém, a julgar pelas tentativas anteriores de implementar um acordo comercial mais modesto, que encontrou forte oposição dentro da Europa. Mais de uma década depois de o acordo ter sido firmado e nove anos após sua entrada provisória em vigor, vários países da UE ainda não o ratificaram.