Moscou disse ter disparado contra trem usado para transportar carga militar, mas autoridades ucranianas dizem que alvo podia ser comboio diplomático com autoridades, que teve a partida antecipada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bombeiros ucranianos apagam incêndio em vagão de trem após ataque de drone russo perto da fronteira com a Polônia — Foto: Ukrainian State Emergency Service / AFP Os ex-primeiros-ministros do Reino Unido e da Suécia, Boris Johnson e Carl Bildt, e o ex-diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) David Petraeus retornavam da Ucrânia para a Polônia em trens distintos, no domingo, quando a Rússia realizou um ataque a drone contra uma estação a poucos quilômetros da fronteira. Embora os comboios oficiais não tenham sido atingidos, o governo da Ucrânia sugeriu que as autoridades ocidentais pudessem ser os alvos, enquanto autoridades europeias denunciaram o caso como uma tentativa de intimidação. Moscou fala em uma ação contra um alvo militar. O ex-diretor da CIA estava em um trem que foi evacuado na estação, após um alerta pela aproximação do drone. Em entrevista ao New York Times, Petraeus afirmou que foi possível ouvir os drones russos sobrevoando o trem em que ele seguia viagem, uma composição civil comum. Ao menos um drone a jato atingiu a locomotiva de um trem próximo, na estação de Yahodyn, a aproximadamente 2 Km da fronteira. — Para quem nunca esteve sob fogo inimigo, aquilo foi aterrorizante. Este é o ato de um líder verdadeiramente bárbaro, tentando aterrorizar civis ucranianos — disse o ex-diretor da CIA em uma entrevista à publicação americana, por telefone, no domingo. — Não houve justificativa militar para o que a Rússia fez neste caso. Em um comunicado reproduzido pela agência de notícias TASS, o Ministério da Defesa da Rússia informou que suas forças tinham como alvo "instalações de infraestrutura ferroviária no oeste da Ucrânia usadas para transportar cargas militares de países europeus". Em contrapartida, a Ukrainian Railways, companhia ferroviária ucraniana, afirmou ser "muito provável" que o alvo russo fosse uma composição diplomática, na qual Johnson seguia acompanhado de outras autoridades, que partiu minutos antes do local, após uma "alteração no horário". O trem já estava em território polonês quando o drone atingiu seu alvo na estação. Em uma entrevista a rede britânica BBC, Bildt disse que passageiros a bordo de seu trem foram instruídos a se preparar para uma evacuação de emergência, antes de receberem permissão para continuar a viagem. Não está claro se o político sueco estava no mesmo comboio que Johnson. Em uma publicação na rede social X, o ex-premier compartilhou um vídeo de passageiros deixando vagões de outros trens após a ordem de retirada. — No trem em que eu estava, recebemos a ordem de nos prepararmos para a evacuação depois que ele parou. Mas, após alguns minutos, fomos informados de que a situação estava segura e que poderíamos prosseguir — disse ele, que chegou em segurança à estação fronteiriça polonesa de Dorohusk. Johnson se manifestou pelas redes sociais, apontando não reconhecer a "lógica distorcida" que teria levado o presidente da Rússia, Vladimir Putin, a "explodir uma locomotiva ucraniana parada". O ex-líder conservador britânico escreveu: "O que podemos dizer com certeza é que este é o tipo de ataque aleatório e insensato que os ucranianos enfrentam todos os dias — inclusive em ferrovias civis". Autoridades europeias e ucranianas condenaram o ataque como uma agressão direta, sem mencionar o suposto elemento "aleatório" citado por Johnson. O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, disse que os "ataques bárbaros" na fronteira equivaliam ao "terror dePutin 'batendo' diretamente às portas da UE e da Otan", renovou pedidos por mais sanções contra Moscou. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, convocou uma reunião de emergência para discutir os acontecimentos mais recentes, afirmando que a Rússia chega cada vez mais perto da fronteira leste da aliança militar ocidental. Antes do início de uma reunião sobre a estratégia europeia para o Ártico, realizada nesta segunda-feira na Finlândia, a chanceler da União Europeia, Kaja Kallas, classificou a ação russa de domingo como uma tentativa de intimidação. — Está claro que se trata de intimidar os países ocidentais para que deixem de apoiar a Ucrânia e de viajar à Ucrânia para demonstrar seu respaldo — declarou Kallas, apontando que as autoridades que estiveram envolvidas no incidente haviam viajado para a Ucrânia para participação no uma conferência internacional de segurança conhecida como Estratégia Europeia de Yalta (YES). O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, acompanhou a linha das autoridades europeias, afirmando nesta segunda-feira que o ataque da Rússia não desencorajaria o apoio ocidental de Kiev. — O ataque a um trem de passageiros na Ucrânia ontem mostra o quão desesperado Putin está. Ele acha que pode nos impedir de apoiar a Ucrânia e minar nossa unidade. Ele está enganado. Nossa resposta é aumentar o apoio — disse Rutte a jornalistas. (Com AFP e NYT)