Riscos à navegação persistem no estreito após embarcação ser atingida por projétil e pegar fogo no domingo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vista de drone do petroleiro HELGA atracado em um dos terminais de petróleo offshore do sul do Iraque, perto de Basra, enquanto se prepara para carregar petróleo bruto, tornando-se a segunda embarcação a chegar desde o fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: REUTERS/Mohammed Aty/Foto de arquivo Os esforços diplomáticos no Oriente Médio pareciam perder força às vésperas desta segunda-feira, com o adiamento de uma reunião entre o Irã e outras potências do Golfo. Ao mesmo tempo, ataques nas proximidades das duas principais rotas de transporte de petróleo da região aumentaram as preocupações com o fornecimento global de energia. Os preços do petróleo subiram mais de 3% nesta segunda-feira, após ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, maior exportadora mundial da commodity, um ataque separado que forçou o fechamento, no fim de semana, de seu importante oleoduto Leste-Oeste, de 1.200 quilômetros, e ataques contra navios no Golfo, ampliando as preocupações com a oferta. As esperanças de um avanço diplomático no curto prazo diminuíram depois que o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, publicou no fim do domingo que uma reunião regional marcada para segunda-feira havia sido adiada “no interesse do consenso”. Autoridades iranianas haviam dito que participariam do encontro com países árabes do Golfo para apresentar um acordo com Omã sobre as regras para a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo antes da guerra. A agência de notícias iraniana Fars citou uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores do Irã dizendo que a reunião em Omã foi adiada a pedido de alguns países da região, em uma decisão tomada conjuntamente por Teerã e Mascate. A autoridade afirmou que o Irã coordenaria com Omã a definição de uma data adequada para a realização do encontro. O adiamento ocorreu logo após a decisão da Arábia Saudita de fechar, ao menos por enquanto, o oleoduto que vinha servindo como principal rota para o petróleo do Oriente Médio contornar o Estreito de Ormuz. Enquanto isso, o estreito continuava apresentando riscos para o transporte de petróleo. A agência britânica de segurança marítima UKMTO afirmou no domingo que uma embarcação foi atingida por um projétil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, provocando um incêndio e forçando a retirada da tripulação. O Irã, por sua vez, afirmou que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos a bordo de uma embarcação comercial iraniana atingida perto de sua costa. O número de embarcações de transporte de commodities que atravessaram Ormuz caiu para menos de dez por dia durante o fim de semana, mostraram nesta segunda-feira dados preliminares de rastreamento de navios, bem abaixo da média de 14 registrada nos dez dias anteriores. Os números não incluem embarcações que possam ter atravessado o estreito com os transponders do Sistema de Identificação Automática (AIS) desligados para evitar sua detecção. Uma imagem de satélite mostra em detalhes os danos no oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, que atravessa a Península Arábica, após um ataque que atingiu a infraestrutura em 11 de setembro de 2026 — Foto: Vantor/Divulgação via REUTERS Diesel nos EUA atinge novo recorde Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 na semana passada pela primeira vez desde julho. O preço do diesel nos postos dos EUA, politicamente sensível, subiu no domingo para um novo recorde histórico, acima de US$ 6,20 por galão. Operadores do mercado e compradores de petróleo saudita disseram à Reuters no domingo que Riad tem petróleo suficiente armazenado no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para manter as exportações por apenas cinco a sete dias caso o oleoduto atingido na sexta-feira continue fechado. Depois disso, até 4% do fornecimento mundial de petróleo poderia ficar ameaçado, além dos milhões de barris diários já perdidos devido às interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz. A Arábia Saudita não forneceu detalhes completos sobre a extensão dos danos ao oleoduto nem informou por quanto tempo ele permanecerá fora de operação. Fontes ouvidas pela Reuters deram estimativas divergentes sobre o tempo necessário para os reparos, variando de dias a semanas. Imagens de satélite mostraram enormes colunas de fumaça em locais ao longo do oleoduto. O recente aumento da violência ligada à guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel há seis meses ocorre após um mês de agosto mais tranquilo, durante o qual os fluxos de petróleo do Oriente Médio haviam começado a se recuperar gradualmente. Em entrevista ao veículo de notícias pan-árabe Al-Arabi Al-Jadeed, sediado em Londres, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que, independentemente de qualquer acordo com Omã, o Irã não reabrirá o estreito até que os EUA atendam às exigências de Teerã. Até agora, Washington não conseguiu alcançar os objetivos estabelecidos pelo presidente Donald Trump quando lançou a “Operação Fúria Épica” em fevereiro: encerrar o programa nuclear do Irã, impedir que o país seja capaz de atacar seus vizinhos e criar condições para que a população iraniana derrube seus governantes. Durante uma viagem à Irlanda no fim de semana, que incluiu sua presença no torneio de golfe Irish Open, Trump reiterou que ainda espera que a guerra contra o Irã termine neste ano, possivelmente logo após as eleições legislativas americanas de novembro, e que então o preço da gasolina “despencará”. Um bico de abastecimento em um posto de gasolina em São Francisco, Califórnia, EUA — Foto: David Paul Morris/Bloomberg Ataques dos houthis continuam Na Arábia Saudita, a mídia estatal divulgou imagens de danos a casas e a uma mesquita provocados pelo mais recente suposto ataque transfronteiriço dos rebeldes houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, na província de Jazan, no sul do país. Separadamente, os houthis afirmaram ter atingido uma base militar saudita em uma província vizinha, após tomarem a ilha de Perim, no Estreito de Bab el-Mandeb, o “Portão das Lágrimas”, que controla a entrada do Mar Vermelho. O avanço dos houthis pela costa do Mar Vermelho faz parte da maior escalada dos combates no Iêmen em anos. O avanço do grupo e seus ataques contra a Arábia Saudita representam um novo dilema para Washington, que quer apoiar seus aliados sauditas e proteger a navegação, mas evita entrar na guerra em uma nova frente. Os ataques dos houthis também deixaram os países do Golfo diante de uma escolha difícil: aceitar prejuízos econômicos crescentes ou buscar uma aproximação com o Irã. Os EUA bombardearam os houthis durante dois meses em 2025, mas Trump encerrou a campanha após anunciar que o grupo havia retirado a ameaça de atacar a navegação no Mar Vermelho. Três fontes disseram à Reuters que o líder de fato da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, telefonou para Trump na quinta-feira para pedir ajuda militar no combate aos houthis, mas, por enquanto, recebeu apenas uma oferta de apoio de inteligência. Trump confirmou no sábado que havia conversado com o príncipe herdeiro e disse que os houthis também telefonaram para o governo americano, pedindo que Washington não se envolvesse na guerra no Iêmen.
Irã e países árabes adiam reunião sobre Ormuz em meio a impasse diplomático no Oriente Médio
Riscos à navegação persistem no estreito após embarcação ser atingida por projétil e pegar fogo no domingo








