Mudanças de rota ocorrem depois que embarcação do Catar e petroleiro saudita foram danificados perto do estreito na terça-feira, após relatos de que o Irã disparou mísseis na hidrovia Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 8 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Pelo menos quatro navios de petróleo e gás desistiram de tentar cruzar o Estreito de Ormuz, mostraram dados de rastreamento marítimo, à medida que novos ataques a embarcações na hidrovia estratégica aumentaram as preocupações com segurança. As mudanças de rota ocorrem depois que um navio de transporte de gás natural liquefeito (GNL) do Catar e um petroleiro saudita foram danificados perto do estreito na terça-feira, após relatos de que o Irã disparou mísseis contra embarcações na hidrovia. Os incidentes fizeram com que autoridades marítimas elevassem o nível de risco para navios em trânsito para "grave". Os navios de GNL Al Ghariya, Duhail e Al Ruwais navegavam lentamente em direção a Ormuz antes de mudarem de rumo e se afastarem na noite de terça-feira, mostraram dados das empresas de análise Kpler e Lseg. As embarcações, controladas pela QatarEnergy, estavam vazias e seguiam para o terminal de exportação de Ras Laffan, no Catar, para carregar cargas. Dados da Lseg e da Kpler também mostraram que o superpetroleiro (VLCC, na sigla em inglês) de bandeira indiana Lila Vadinar, que transporta 2 milhões de barris de petróleo bruto do Kuwait embarcados no fim da semana passada, fez meia-volta na ponta de Omã, junto ao estreito, nesta quarta-feira. Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, pelo menos 16 carregamentos de GNL partiram de Ras Laffan e outros 10 do terminal da Abu Dhabi National Oil Co (Adnoc), na Ilha Das, nos Emirados Árabes Unidos, atravessando o estreito. Ainda assim, esse volume representa apenas uma fração da média mensal de aproximadamente 7 milhões de toneladas métricas normalmente embarcadas pelos dois terminais. Também se formou uma fila de navios em lastro, isto é, vazios, aguardando para carregar em Ras Laffan. As imagens de satélite mais recentes, de 7 de julho, mostram 14 navios de GNL fundeados ao largo de Ras Laffan, com uma embarcação, a Umm Al Amad, atracada no terminal carregando no momento em que a imagem foi capturada, disse Laura Page, gerente de inteligência para GNL e gás natural da Kpler. As imagens também indicam que três embarcações aguardando ao largo de Ras Laffan estão com seus transponders do Sistema de Identificação Automática (AIS) desligados, acrescentou. Mais de 50 navios em lastro controlados pela QatarEnergy e pela Adnoc estão posicionados na região do Golfo, na Índia e no Estreito de Malaca, sendo que alguns estão com os sinais do AIS desligados há mais de dez dias, informou a Vortexa. Ainda assim, pelo menos três petroleiros de petróleo bruto que estavam retidos conseguiram deixar o estreito. O superpetroleiro Mercury Hope, carregado com 2 milhões de barris de petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos embarcados no início de março, saiu do estreito nesta quarta-feira, mostraram dados da Lseg e da Kpler. A Anglo Eastern Maritime, administradora da embarcação, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O superpetroleiro Tenjun, administrado pela japonesa Nippon Yusen KK e transportando 2 milhões de barris de petróleo bruto do Catar embarcados no fim de fevereiro, deixou o Estreito de Ormuz na noite de terça-feira. O VLCC Pertamina Pride, administrado pela estatal indonésia de energia Pertamina, também deixou o estreito na terça-feira, com o transponder desligado, mostraram os dados de navegação. A embarcação transporta 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita embarcados no início de março. A Nippon Yusen recusou-se a comentar sobre o petroleiro Tenjun. A Pertamina não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Além disso, a refinaria indiana Mangalore Refinery and Petrochemicals Ltd (MRPL) cancelou o fretamento de um navio que havia contratado para carregar petróleo bruto do Iraque, disseram duas fontes do setor de transporte marítimo com conhecimento do assunto.