Executivo ou programador de empresa de IA fazendo escarcéu sobre a vindoura extinção da humanidade, supostamente prestes a ser causada pelos brinquedinhos que eles andam inventando, já virou só mais uma segunda-feira, sinceramente —faz anos que essa conversa ganha uma manchete atrás da outra.
Nesta semana foi a vez de um rapaz de 27 anos que já trabalhou na OpenAI e agora estava na Anthropic, pedindo demissão e dizendo que a chance de uma IA destruir a nossa espécie ainda nesta década podia ser de 10%. Um colega dele que continua na empresa fez o favor de arrematar dizendo "na verdade a gente acha que a chance de genocídio planetário é superior a 10%". Ah, que ótimo.
Descendo de uma longa linhagem de capiaus desconfiados e tenho zero fascínio por geradores automáticos de lero-lero, o que faz com que o meu detector de patacoada não pare de apitar toda vez que essas declarações me aparecem na tela.
Ao mesmo tempo, acho que é simplista demais atribuir a obsessão escatológica desse povo a simples jogada de marketing, uma tentativa de seduzir governos e grandes corporações com uma promessa de poderio absoluto sobre a vida e a morte. Tentemos, portanto, pensar juntos sobre o que poderia ser esse tal "destruir a humanidade" e de onde está vindo a sanha apocalíptica de quem cria papagaio estocástico em cativeiro.









