Stray Kids foi a banda favorita do público que ocupou a Cidade do Rock 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Da esquerda para direita: Pâmela Tupinambá, Aline Soares e Tessi Gonçalves — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo Bastões de luzes piscantes, bichos de pelúcia, leques barulhentos e um nível de dedicação nos figurinos nunca antes visto na Cidade do Rock. Bem-vindo ao dia do K-pop. O estilo musical sul-coreano, pela primeira vez no line-up do Rock in Rio, levou ontem um público apaixonado para o gramado — um pouco ainda empoçado pela forte chuva da manhã que deu trégua pouco antes de os portões abrirem às 14h. A maioria estava ali para assistir ao headliner da noite, Stray Kids, grupo de oito rapazes formado em Seul. O trio paulistano de amigas Pâmela Tupinambá, arquiteta de 31 anos, a analista de mídias sociais Aline Soares, de 30, e a analista de comunicação Tessi Gonçalves, de 29, fez um bate e volta para por causa da banda. Lighstick no Rock in Rio — Foto: Guito Moreto/Agência O Globo —Gosto das letras, das coreografias e da estética do K-pop. Cada “era” de um artista tem um visual, e isso me encanta muito— disse Aline, que veio ao evento no sábado para a apresentação dos metaleiros do Avenged Sevenfold. —Já estive também numa edição com Panic! at the Disco (em 2019). É um pouco de rock e um pouco de K-pop. Pessoas com o gosto como o de Aline não eram exceção. A profusão de camisetas pretas, que confundiu os menos iniciados no gênero musical e dividiu espaço com a turma colorida, era um sinal de que Stray Kids não está tão longe assim do rock como o nome dá a entender. A especialista em marketing digital Dieyne Jacomasse, de 24 anos, explicou: — O Stray Kids tem uma identidade mais pesada do que o normal e o esperado para um grupo do K-pop — disse a moça. — Eles têm uma forte influência do rock. Por isso, o pessoal gosta de se vestir de preto e vermelho e com correntes. Tem muitos fãs do metal que migraram para o K-pop por causa do Stray Kids. A baiana de Vitória da Conquista Luana Bahia, de 12 anos, curte, por influência do pai, que a acompanhava, System of a Down e Pitty. Mas os olhos brilham mesmo é pelos rapazes do Stray Kids. É a segunda vez que eles veem a banda ao vivo; a primeira foi em abril do ano passado, no Engenhão. — Onde tem show deste estilo, nós vamos. No último, fui de camiseta do Slayer — disse o pai, o advogado Márcio Bahia, vestido de blusa do Metallica. —Tem algumas músicas do K-pop com pegada rock também, misturada com eletrônico. Rock and pop Pelo visual, a banda nipo-coreana Nexz também era chegada a um rock and roll. Vestindo blusas de Ramones, Black Sabbath e Sonic Youth, os rapazes, que se comunicaram com o público ora com tradução simultânea, ora tentando o português, abriram os trabalhos no Palco Mundo empolgando os “K-poppers”, que bateram leque sem parar. Depois deles, veio a cantora sul-coreana Hwasa, que só começou a cantar depois de avisos insistentes da produção do festival para que o público abrisse espaço na grade, principalmente para a saída de quem estava passando mal. “Enquanto não derem um passo para trás, não daremos início ao show. Assunto muito importante para a segurança da galera”, disse uma voz ao microfone, enquanto uma mensagem vermelha com o mesmo teor era exibida no telão. Afora o perrengue da aglomeração na grade, o clima nas filas e no gramado era de amizade total. Os fãs trocaram lembranças entre si, como chaveiros, fotos da banda e adesivos, todos em homenagem aos artistas do dia. Na comunidade do K-pop, esses presentes são chamados de” freebies”. — Aqui tem gente do Brasil inteiro e até estrangeiros, então é muito legal essa troca — disse a estudante Ana Letícia, de 24 anos. —A gente se ama muito porque tem uma causa em comum: Stray Kids. A parafernália favorita das Stays (o nome da comunidade das fãs do Stray Kids) era, no entanto, são os bastões de luz, mais conhecidos como “lightsticks”.O brinquedinho (ligado por um botão, que também comanda o ritmo da luz: piscam rapidamente, reluzem parados ou mudam de cor) era vendido até na loja oficial da própria banda headliner, no Shopping Metropolitano Barra, próximo à Cidade do Rock. Na internet, os preços variam entre R$ 250 e R$ 500. O da estudante paulistana Gabriela Lucas, de 20 anos, por sua vez, foi R$ 600. Ela não comprou especificamente para o Rock in Rio e vem usando desde 2024, quando vai a algum evento do gênero coreano. O próprio Rock in Rio, nas redes sociais, incentivou o uso do acessório no festival. O público aderiu. — É divertido, faz parte da cultura K-pop — disse a estudante Manuella Figueiredo, de 22 anos, acompanhada da amiga, Alicia Valério, de 23, que explicou o significado dos bastões. —Os Stray Kids usam esse ponteiro porque é como se nós, os fãs, fossemos o norte deles. E nós nos sentimos parte de tudo isso. Faz parte do marketing do grupo também, algo que é usado para identidade. Os lightsticks só não iluminaram os outros palcos, refúgio dos não engajados no K-pop. No Sunset, o dia começou com Jota.pê, Luedji Luna e Zaynara, seguidos por Os Garotin, com a participação de Duquesa. Depois, foi a vez do DJ Morton, que antecedeu a grande estrela não-coreana da noite, o Jamiroquai.
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