A própria companhia revelou que seu modelo de inteligência artificial havia sido usado na guerra 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ataque de drone russo nos arredores da capital ucraniana, Kiev — Foto: Foto por SERHII OKUNEV/AFP Um pequeno time de desenvolvedores na Rússia utilizou a IA Claude para criar softwares de lançamento autônomo de ataques de drones "kamikaze", responsáveis por captura de imagens de perto da ofensiva e de sua auto-destruição ao atingir o alvo. A revelação foi feita pela própria Anthropic, empresa que desenvolveu o Claude, em um relatório de 154 páginas obtido pelos jornais The Guardian e The Wall Street Journal na sexta (11). A IA foi utilizada por freelancers, possivelmente, para guiar, selecionar alvos e coordenar múltiplos drones que atacavam em "enxame" seus alvos e os detonava, sem a necessidade de um humano tomando a decisão. Durante a fase de programação, a equipe que trabalhava na criação do software com o Claude escolheu, repetidamente, um local da região ucraniana de Donetsk – atualmente controlada por Moscou – como alvo. Eles teriam utilizado VPNs, um serviço que mascara a localização do computador conectado, para não serem pegos pelos bloqueios geográficos da Anthropic e trabalharem na ferramenta que dispensa o controle humano nos ataques de massa a alvos ucranianos. Drones têm sido uma das principais armas na guerra entre Rússia e Ucrânia. A Anthropic também revelou que identificou um aumento de uso da IA por criminosos cibernéticos e hackers contratados pelo governo russo para executar ataques, inclusive contra autoridades ucranianas. Um grupo de hackers teria supostamente utilizado o Claude para aplicar golpes de roubo de dados, invadir redes de wi-fi de hoteis e contas de WhatsApp usadas por oficiais do governo da Ucrânia, de suas Forças Armadas, além de diplomatas. O modus operandi, isto é, a forma de atuação é semelhante à do Midnight Blizzard, um agente de ameaças russo que já foi ligado pelos EUA ao serviço de inteligência estrangeira do país, segundo a Reuters. A Embaixada da Rússia em Washington não se manifestou sobre o caso até o momento, mas o grupo teria usado a IA para construir um sistema que detecta automaticamente quando seu próprio programa invasor foi identificado por equipes de segurança e reescreve o código para escapar de ser pego, ainda segundo o jornal The Guardian. O relatório da Anthropic surgiu enquanto postos de gasolina em Kiev têm sido atingidos por drones russos. Pelo menos duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas nos ataques da manhã de sexta (11), segundo o prefeito da capital, Vitali Klitschko. Um ataque semelhante já havia acontecido na quinta e, desde quarta, circulava no Telegram uma lista de 18 possíveis alvos – destes, três postos já foram destruídos. Em resposta, a Ucrânia também realizou ataques com drones na Rússia, que deixaram dois mortos na madrugada de sexta na região de Tula, e outro em Kursk.