O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), articula com ministros aliados a possibilidade de adiar o julgamento da próxima terça-feira (15), quando o plenário se reúne para discutir a crise inédita que se abateu sobre a corte.

O grupo defende que a sessão só ocorra se o plenário também estiver disposto a julgar as alegações de abuso de autoridade atribuídas ao ministro André Mendonça, e não só o relatório que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na divisão atual do tribunal, Moraes é apoiado pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Já Mendonça calcula com o alinhamento de Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e do presidente do STF, Edson Fachin. Como Dias Toffoli não deve votar, a ministra Cármen Lúcia tende a ser a fiel da balança.

Em conversas reservadas ao longo dos últimos dias, Fachin foi aconselhado por colegas a pautar os dois temas em conjunto. A avaliação é a de que os episódios são indissociáveis, sendo impossível julgar o relatório da PF (Polícia Federal) que implica Moraes sem entrar no debate sobre o método de Mendonça.

O presidente do Supremo, por sua vez, tem dito aos ministros que na terça-feira ainda não estará esgotado o prazo que ele deu para Mendonça se manifestar sobre a sua postura, o qual vence no dia 21, e que isso inviabilizaria que esse ponto fosse incluído na pauta.