Já virou lugar-comum dizer que o cemitério da Consolação, inaugurado em 1858 e o mais antigo de São Paulo em funcionamento, é um museu ao ar livre. Seus túmulos são decorados com esculturas de artistas consagrados, como Victor Brecheret, Galileo Emendabili e Luigi Brizzolara. Só no ano passado, o lugar recebeu mais de 4.000 pessoas em suas visitas guiadas, todas interessadas nos ilustres personagens ali enterrados e nas suas inúmeras obras de arte.
Apesar de todos os seus atrativos, a necrópole tem um problema sério. Ela precisa ser restaurada com urgência. Seus muros estão em mau estado de conservação, assim como seus pórticos, a capela, o vestiário, o prédio da administração e o arruamento. Ainda não há um memorial dos mortos políticos nem foram implantados novos depósitos, vestiários e copa, como estava previsto no edital de concessão. Desde 2023, o cemitério é administrado pela concessionária Consolare, a quem cabe fazer todas essas melhorias.
A restauração não avança por dois motivos. O primeiro é burocrático. Por se tratar de um bem tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), qualquer obra depende de uma avaliação rigorosa —que se estende há três anos— e de autorização da SP Regula, órgão que cuida das concessões na cidade.






