Entrevista | Arthur Fischer Neto, sócio-diretor da Müze Incorporadora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Arthur Fischer — Foto: Divulgação Em um trecho preservado de Mata Atlântica na Praia Brava, em Itajaí (SC), a Müze ergue um dos empreendimentos mais sofisticados do país — o Tempo, que reunirá um hotel Emiliano e sete torres residenciais, com apartamentos de 400 a 1,48 mil metros quadrados. O projeto marca a estreia no Brasil do escritório britânico Foster+Partners e terá interiores de Patricia Anastassiadis e paisagismo da JA8. Primeiro branded residences da marca hoteleira, receberá investimento de cerca de R$ 1 bilhão e tem VGV de R$ 2,8 bilhões. Sócio-diretor da Müze — formado pela Zah Empreendimentos, Nastás Engenharia, F2M Empreendimentos Imobiliários e pelos investidores Guilherme Weege, Juliano Custódio e Alan Eccel — e um dos líderes do projeto, Arthur Fischer Neto afirma que este é apenas o começo da atuação da incorporadora no alto padrão nacional. Como estão as vendas do Tempo? Arthur Fischer Neto — Cerca de 25% dos apartamentos já foram vendidos, com valor médio do metro quadrado na faixa dos R$ 74 mil. As unidades mais próximas da praia têm saído por R$ 90 mil cada metro. As obras foram iniciadas no começo de setembro, e a previsão de entrega do Hotel Emiliano, que vai integrar o complexo, está prevista para 2029, e das torres residenciais, nos dois anos seguintes. É um projeto de padrão internacional. Há muitos estrangeiros entre os clientes? Sim, um terço das vendas até aqui foi para compradores da Suíça, da Inglaterra, dos Estados Unidos e da Argentina. Os outros dois terços estão divididos entre catarinenses e pessoas de outros estados. Qual o peso para o projeto da parceria inédita com o escritório de arquitetura Foster+Partners? Buscávamos um nome internacional que ajudasse a ampliar o alcance do projeto e atraísse olhares para um lugar até então pouco conhecido, criando um novo destino imobiliário. O Tempo pretende ir além do mercado regional e alcançar um público que ainda não investe no litoral catarinense. Além disso, a sustentabilidade presente no trabalho do Foster+Partners está alinhada à proposta do empreendimento, localizado em uma área de preservação ambiental. Será o primeiro de muitos? Sim, temos mais dois projetos com o escritório: um na própria Praia Brava Norte e outro, na Praia do Estaleirinho, em Balneário Camboriú, com vilas de casas com até três andares. E a ideia é seguir buscando lugares que permitam fazer projetos icônicos como o Tempo. Em pé, da esq./dir.: Arthur Fischer Neto, Felipe Miguel, Rivael Santos e Flavio Nastás. Sentados: Cláudio da Silva, Ricardo Zanella e Luís Fernando Corrêa — Foto: MÜZE INC./DIVULGAÇÃO Será uma relação longeva, então. Como chegaram até eles? Desde o início, pensamos em trazê-los para o projeto. A maneira como trabalham a materialidade, a capacidade criativa para definir uma personalidade única para cada empreendimento e o foco na sustentabilidade — algo inegociável para nosso projeto, até pelas exigências ambientais daquele trecho da praia — eram aspectos desejados. Além disso, buscávamos uma assinatura internacional inédita no país, com um nome que pudesse contribuir com o objetivo de formar um novo destino e atrair olhares para um lugar até então pouco visto. O Hotel Emiliano é outro pilar fundamental do empreendimento. Como foi a negociação? Um dos sócios da Müze tem um relacionamento próximo com a família Filgueiras e convenceu o CEO do hotel, Gustavo Filgueiras, a conhecer alguns terrenos em Balneário Camboriú. Mas nada o empolgou muito e, na hora de voltar ao aeroporto, paramos para almoçar em um restaurante de frente para o mar da Praia Brava. O Gustavo foi para o jardim, ficou olhando o mar e disse: "Aqui meus clientes topariam pagar R$ 5 mil a diária". Semanas antes, tinham nos oferecido o terreno na Praia Brava Norte, e fomos caminhando até lá. Ele se encantou e aceitou entrar no projeto. O Emiliano não só terá a primeira torre do complexo — marcando sua estreia no mercado hoteleiro do Sul do país —, com vista total para o mar, como também fornecerá um menu extenso de serviços aos proprietários dos apartamentos, desde manutenção e arrumação das unidades até gastronomia e organização de eventos e passeios. Fachada das torres residenciais do empreendimento Tempo by Müze, na Praia Brava Norte (SC): arquitetura internacional assinada por Foster + Partners — Foto: MÜZE INC./DIVULGAÇÃO O que tem de diferencial na Praia Brava Norte? É um trecho mais preservado da orla, entre o morro Canto do Morcego e a lagoa do Ribeirão do Cassino, com acesso pela praia feito por passarela. Essa rusticidade atrai mais o público paulista, pela privacidade e pela exclusividade. Para chegar de carro não é tão simples, o que fez aquele lugar permanecer protegido ao longo do tempo. Em 2025, o local foi transformado em Área de Proteção Ambiental (APA), tornando o desenvolvimento imobiliário ainda mais restrito. Mas encaramos isso como um valor, não como barreira. Faremos gentilezas urbanas ali, colaborando com a revitalização da obra e parques públicos nas extremidades da praia. O maior ativo daquele endereço é a natureza, e vamos trabalhar para preservá-la. O Tempo é uma antítese dos arranha-céus de Balneário Camboriú. Como analisa esta dicotomia no mercado catarinense? Existe consumidor para esses prédios muito altos, e acho sensacional o que estão fazendo: a tecnologia da engenharia e de construção é incrível e não acontece em mais nenhum outro lugar do Brasil. É referência mundial. Mas é como no setor automotivo: tem quem goste de Ferrari, Bentley, Porsche... são produtos distintos, com públicos distintos e há mercado para todos eles. As novas gerações de consumidores de imóveis de alto padrão na região têm demonstrado outras referências estéticas e culturais. Elas estão em busca de um tipo de empreendimento "quiet luxury", e nosso produto conversa com esse público. Casa Müze: espaço de eventos e experiências da incorporadora, com sala imersiva e atendimento exclusivo — Foto: MÜZE INC./DIVULGAÇÃO O empreendimento é de padrão internacional e pioneiro no país. Como tem sido a estratégia de vendas? Este tem sido um dos nossos desafios: como contar essa história, com os detalhes que tornam o Tempo um produto tão raro. Para isso, inauguramos a Casa Müze, na Praia Brava, onde recebemos os clientes somente com agendamento. Cada um é recebido com uma experiência personalizada. E tem gente que gostou tanto da vivência que não só comprou um apartamento, como pediram para fazer eventos corporativos e até aniversários. O investimento no espaço supera os R$ 20 milhões. Além de serviços de gastronomia, bar, adega, mobiliário com design assinado e obras de arte, criamos também uma sala imersiva com tela de 14 metros de extensão, onde exibimos o manifesto do empreendimento. E temos mesas digitais interativas, revelando detalhes do trabalho dos parceiros envolvidos no projeto: Foster+Partners, Patricia Anastassiadis, AJ8 e Emiliano. O propósito da Casa Müze é ser uma plataforma permanente de relacionamento, não apenas para apresentar o Tempo, mas todos os demais lançamentos que faremos nos próximos anos. Com todo esse investimento, qual a pretensão do Tempo? É ser um produto mais do que regional. Sem dúvida, ele nasceu para colocar a Praia Brava como um novo destino imobiliário do país e conversar com um público que estava curioso, mas ainda sem um estímulo real para investir no litoral catarinense.
"Queremos que a Praia Brava seja um novo destino imobiliário do país."
Entrevista | Arthur Fischer Neto, sócio-diretor da Müze Incorporadora






