Apostas em aperto monetário subiram de 72,4% na véspera para 85,6%, diante dos números do índice de preços ao consumidor de agosto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Após as leituras firmes dos números de inflação de agosto, o mercado abandonou a postura dividida sobre o rumo da política monetária e passou a apostar, quase num consenso, que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) vai elevar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, na semana que vem. Segundo dados compilados pelo CME Group, as apostas em uma restrição na política monetária subiram de 72,4%, ontem, para 85,6%, hoje, enquanto as projeções de uma manutenção recuaram de 27,6% para 14,4%. Há uma semana, essas probabilidades estavam em 59,4% para uma alta nos juros e 40,6% para uma manutenção pelo banco central americano. Ainda que os números do índice de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) de agosto tenham vindo praticamente em linha com o consenso do mercado, com alguma pressão inesperada nos núcleos, eles mostraram que a tendência de desinflação vista nos meses anteriores parece ter estagnado. O mercado também passou a retirar parte do prêmio nos vértices longos da curva de juros, em meio à crença de que o Fed restringirá a política monetária após a divulgação do CPI. Próximo às 10h55 (horário de Brasília), a taxa da T-note de dez anos recuava a 4,930%, de 4,969% do ajuste anterior, enquanto o rendimento do T-bond de 30 anos caía para 5,326%, de 5,368%. O juro da T-note de dois anos oscilava de 4,594%, a 4,588% do fechamento anterior. O CPI registrou um avanço de 0,3% no núcleo, acima do consenso de alta de 0,2%, e acumulou alta de 2,4% em 12 meses. Os economistas do Citi afirmaram, antes da divulgação, que um avanço mensal desta magnitude no núcleo seria suficiente para levar o Fed a elevar os juros, embora observem que a combinação de falta de sinalização, alta nos preços do petróleo e os mercados precificando uma restrição torne mais difícil ter certeza sobre a função de reação do banco central americano. O Citi também projeta que, com base nos dados de ambos os indicadores, o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), a medida de inflação de preferência do Fed, avançará 0,29% na variação mensal e 3,14% na variação anual em agosto. A equipe de economistas do J.P. Morgan também passou a projetar um avanço dessa magnitude. Para a TS Lombard, os números do CPI reforçam a narrativa de uma alta nos juros pelo Fed em setembro, embora a casa se mostre crítica ao fato de que a decisão possa estar tão atrelada aos dados de apenas um mês. “É, de certa forma, absurdo que uma decisão tão crucial sobre as taxas de juros possa depender de um único dado”, disseram os economistas da consultoria. Apesar das ressalvas, a TS Lombard já previa que o próximo movimento do Fed seria uma restrição e argumenta que uma alta nos juros não apenas dissiparia as dúvidas remanescentes sobre a credibilidade pessoal do presidente Kevin Warsh, mas também respaldaria seu discurso com ações concretas. “Um aumento de 0,25 p.p. demonstraria que ele fala sério. Além disso, o fato de a maioria dos investidores acreditar que ele ‘não pode’ elevar os juros antes das eleições de meio de mandato torna a justificativa para tal medida ainda mais sólida”, afirmou a consultoria. Céu nublado sobre a sede do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), em Washington — Foto: Valerie Plesch/Bloomberg
Mercado firma apostas de alta de juros pelo Fed na próxima reunião após dados de inflação
Apostas em aperto monetário subiram de 72,4% na véspera para 85,6%, diante dos números do índice de preços ao consumidor de agosto







