Esquema com emendas parlamentares indica uso de dinheiro público em filme; caso ajuda a explicar aversão de Mario Frias à Lei Rouanet 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Armas apreendidas pela Polícia Federal em endereço do deputado Mario Frias — Foto: Reprodução/PF e Bruno Spada/Câmara dos Deputados A frase foi cunhada pelo dramaturgo nazista Hanns Johst: “Quando ouço falar em cultura, saco meu revólver”. Ontem a Polícia Federal fez buscas na casa do dublê de ator e deputado Mario Frias. Apreendeu sete armas, incluindo uma carabina eslovaca e uma espingarda de cano duplo, estilo Velho Oeste. Como secretário de Cultura de Jair Bolsonaro, Frias voltou a mira contra os artistas. Disparou insultos contra Chico Buarque, Caetano Veloso, Anitta, Taís Araújo, Ivete Sangalo e outros nomes que ousaram criticar o capitão. Para mostrar fidelidade ao chefe, o ex-galã de “Malhação” também abriu fogo contra a Lei Rouanet. “A mamata acabou”, repetia, ao defender medidas que sufocaram o principal mecanismo de incentivo à produção cultural no país. A conversão à extrema direita deu a Frias o prestígio que ele não encontrou na carreira de ator. O astro de “Bela, a feia” fez novos amigos, ganhou seguidores e se elegeu para a Câmara. Teve o triplo de votos do palhaço Tiririca, seu colega no PL paulista. Como parlamentar, sua atuação mais notável foi como roteirista e produtor executivo de “Dark horse”. Agora a PF apura se ele desviou recursos federais para financiar o filme de propaganda bolsonarista, cujo orçamento faria inveja a Leni Riefenstahl. De acordo com a investigação, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama. Ela também é produtora do filme que exalta o ex-presidente. O deputado nega irregularidades e se diz perseguido pela Justiça e pela imprensa. O caso desmonta de vez o discurso de Flávio Bolsonaro, que sempre negou o uso de dinheiro público no filme. A versão já ignorava o fato de que a fortuna de Daniel Vorcaro, a quem o senador pediu R$ 134 milhões, foi engordada pelo assalto à previdência de servidores. Ontem o filho de Jair descreveu a operação da PF como uma “terceira facada”. O episódio também ajuda a entender por que Frias e seus asseclas se empenharam tanto em demonizar a Lei Rouanet. O objetivo era substituir o mecanismo, que impõe regras rígidas de fiscalização e prestação de contas, pelo faroeste das emendas. Mario Frias no governo: Um bobo na corte bolsonaristaRegina Duarte fora do governo: O papelão da Viúva Porcina