A forte estocada nas cotações do petróleo e a iminência do avanço meteorológico do El Niño não são os únicos fatores de tensão e de incerteza da economia mundial, com forte impacto sobre a brasileira. O outro é a crescente perda de confiança no principal ativo financeiro global, o título do Tesouro dos Estados Unidos, o treasury.A disparada dos preços do petróleo, tratada por este espaço na quarta-feira, fechou nesta quinta-feira, 10, a US$ 107,6 por barril. Às causas do choque, agora se acrescentaram os conflitos no Iêmen. Além de controlar em parte o estratégico estreito Bab al-Mandab, os houthis, financiados pelo Irã, ameaçam refinarias e instalações de óleo da Arábia Saudita.A dívida do Tesouro ultrapassou os 40 trilhões de dólares, mais de 100% do PIB do País Foto: PixabayPUBLICIDADEO El Niño ainda não traz novidades. Mas vêm sendo reforçadas as previsões de sua forte intensidade, que produzirá secas, ciclones e inundações.Os treasuries passam por alta forte dos juros nos segmentos de longo prazo. Nesta quinta-feira, 10, foram negociados no mercado a 4,9% ao ano. Como são referência para os negócios financeiros ao redor do mundo e, especialmente, para os juros cobrados no crédito hipotecário dos Estados Unidos (mortgage), têm impacto político diante das eleições de novembro por lá.PublicidadeAs causas do aumento desses juros têm a ver com a redução da procura desses títulos no mercado. Importantes países de ponta, como a China e o Japão, que antes os tinham como principal ativo em suas reservas, passaram a executar operações de diversificação, por meio de compras de outras moedas fortes e de ouro.Por trás desse movimento está a deterioração das contas públicas dos Estados Unidos. A dívida do Tesouro ultrapassou os US$ 40 trilhões, mais de 100% do PIB, e o rombo fiscal anual já ultrapassa os 6% do PIB.Na quarta-feira, 09, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, colocou em marcha seu plano de recompra de US$ 6 bilhões de um total de US$ 36 trilhões em títulos de longo prazo no mercado e sua substituição por títulos de prazo mais curto. Seu objetivo é criar mais demanda para esses títulos e, assim, tentar reduzir os juros. O efeito dessas compras foi um tiro no pé, porque os juros subiram. Os analistas acreditam em que menos de US$ 10 bilhões em compras pouca diferença farão.A questão mais importante é a de que essas recompras, mesmo a valores superiores, não passam de aplicação de morfina contra a dor, mas não tratam do câncer. PublicidadeSão os fundamentos da economia dos Estados Unidos que estão combalidos e corroem o dólar. Até agora, a política do governo Trump não se mostrou disposta a enfrentar essa encrenca.Vale ler tambémSerá Fachin nosso Eliot Ness nesta grande Chicago com crime organizado mandando e Poderes cooptados?A pimenta-do-reino já foi carro-chefe da bioeconomia na AmazôniaRecebeu R$ 5 milhões no Pix por engano, devolveu e ficou devendo à Receita? Entenda a história
Opinião | Títulos dos EUA perdem confiança; recompra não enfrenta a raiz do problema fiscal
Plano de US$ 6 bilhões em recompras para reduzir os juros dos Treasuries foi um tiro no pé; até agora, o governo Trump não se mostrou disposto a enfrentar essa encrenca











