Petista afirmou esperar que presidente da Corte tome novas medidas e disse que todos devem ser investigados, inclusive Moraes e Mendonça 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula em evento no Palácio do Planalto sobre a Previdência Social — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira as decisões tomadas pelo presidente do Suprema Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, na véspera, mas afirmou esperar que ele faça mais coisas para debelar a crise que atinge a Corte. — Eu acho que o Fachin agiu corretamente ontem. Ele vai ter que pegar esse processo e trazer para ele, colocar ordem na casa e fazer com que a Suprema Corte faça um processo de apuração. Em entrevista ao SBT, o presidente falou que os ministros do Supremo não podem ficar brigando diante da sociedade. — Então eu acho que está no caminho certo agora. Colocou um pouco de ordem na casa. Não é possível, não é aceitável que, diante da sociedade, fiquem os ministros da Suprema Corte brigando um com outro, dando declaração um contra o outro e a sociedade passiva assistindo. Lula classificou mais de uma vez as decisões de Fachin como corretas, mas revelou que ainda aguardar novas medidas. — Eu acho que o Fachin tomou a atitude correta. Não terminou de tomar as atitudes, espero que ele faça mais coisa para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte. Na entrevista, Lula afirmou que os minitros do Supremo Alexandre de Moraes, André Mendonça e outros agentes públicos devem ser investigados caso haja suspeita de irregularidade cometida. — Falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o Moraes é o culpado, tem que pagar, se o Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da Constituição. A lei está acima de tudo e a verdade é soberana. O presidente se disse favorável uma reforma do Judiciário, incluindo a adoção de mandatos para ministros do Supremo. Também afirmou que os ministros não podem ter escritório atuando na Corte, numa referência indireta a Moraes. O escritório da mulher do ministro, Viviane Barci, foi contratado pelo banqueiro Daniel Vorcaro por R$ 130 milhões. — Eu acho que a gente precisa discutir mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo. Ninguém pode ter escritório trabalhando na Suprema Corte. Outro dia, eu disse, brincando: quem quiser ser da Suprema Corte não pode querer ser rico. Se quiser ser rico, vai trabalhar no seu escritório. Se quiser ser juiz, com método e respeito, vai para a Suprema Corte. Questionado, porém, sobre o tempo de mandato, o presidente não respondeu. Afirmou apenas que pretende debater o tema com a sociedade. Lula também defendeu o fim do sigilo sobre os inquéritos que estão na Corte e disse que tratou do tema com Fachin e outros ministros. — Já que é para fazer vazamento seletivo, eu ontem conversei com o ministro Fachin e outros ministros: tem que fazer abertura do sigilo de todo mundo. Colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira para ver se a Suprema Corte recupera a sua credibilidade. Questionado se a crise institucional do STF afeta o governo, Lula negou, e afirmou que o Executivo "não tem nada a ver" com a situação. — Minha preocupação, como presidente, é que que a Suprema Corte é muito important, e não pode ser banalizada. Os membros da Suprema Corte tem que ter um comportamento acima do nível da sociedade brasileira No fim da tarde desta quarta-feira, o presidente do Supremo tomou uma série de decisões, entre elas o agendamento para a próxima terça-feira, dia 15, de julgamento para tratar de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Além disso, Fachin assumiu a investigação do chamado inquérito das fake news, retirando Moraes da função, e suspendeu as decisões que tratavam sobre o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.