Em momentos de grave crise institucional, a procrastinação não é prova de temperança. E a crise em curso é grave. Não pode ser resolvida por discursos. Há um golpe em curso, uma continuação do 8 de Janeiro de 2023. Entre a prisão dos culpados pela investida contra a democracia e esta véspera de eleição presidencial, e desde dezembro do ano passado, quando assumiu a relatoria do Caso Master na Corte presidida por Vossa Excelência, André Mendonça, o evangélico terrivelmente bolsonarista, urdiu uma trama que levou o Supremo às cordas.
Se não resistir agora, o STF, cuja firmeza e unidade foram determinantes na defesa das instituições em 2023, enfrentará desunido e fraco eventuais investidas autoritárias nas eleições deste ano. Mendonça implode a Justiça e o Supremo precisa estar forte para resistir a um golpe que, insisto, está em curso. A ação desestabilizadora de Mendonça é estratégica nessa conspiração contra as instituições.
Nos meses que sucederam a assunção de Mendonça à relatoria da investigação sobre o Caso Master, a maior fraude bancária da história do País, houve usos e abusos dos poderes a ele conferidos para ferir adversários políticos e dividir o tribunal. Eu sei, a Justiça tem seu próprio tempo, e não dá para tirar do chapéu uma solução rápida para coibir as liberalidades a que os integrantes da Corte se permitiram, driblando normas sem incorrer necessariamente em crimes, ou neles incorrendo, e que agora servem para o jogo de chantagem contra as instituições de um relator terrivelmente mal-intencionado.














