Uma vida longa e uma partida que deixa memórias de quem segue a percorrer sua jornada. Um plantio próspero, uma colheita farta. Um nome e um sobrenome que seguirão sendo ecoados pelos tempos que virão. Conselhos que guiam boas decisões, um solo mais fresco. A sabedoria como um canal dos ancestrais para as gerações que nos sucedem. O canto de África, o cordão de proteção, o açaí, o tacacá e palmas para as divindades. A teia de Ananse.

"Oh divina Ananse, presta-me o teu poder, para andar como tu, sobre as águas do rio, sobre as águas do mar. Oh divina Ananse, presta-me o teu poder, para outras histórias tecer, para outras histórias contar. Oh divina Ananse, ajuda-me a desenvolver esta breve aventura...".

O fio da aranha sagrada reconstitui a saudade que tanto se quis emudecer. Sobrevivemos e contamos velhas e novas histórias. Seguimos a trilha aberta, andamos muito e temos as lições e ferramentas necessárias para seguir em frente. Quem virá dará mais passos e assim por diante.Zélia Amador de Deus, homenageada há duas semanas nesta coluna, partiu. Voltou ao barro ancestral de sua mãe, Nanã Buruku. Se foi em meio a muito amor, cuidado e gratidão. Alcançou com honras sua missão nessa vida. Seu nome ficará entre nós: nas homenagens, nos ensinamentos, nas conversas de café da manhã. Na memórias de resistência contra a ditadura militar, no orgulho black power.