Ex-governador é o terceiro convidado da série de entrevistas que teve início na terça-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Anthony Garotinho (Republicanos) é o terceiro convidado da série de sabatinas do Valor, O Globo, Extra e da Rádio CBN — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil O candidato do Republicanos ao governo do Rio, o ex-governador Anthony Garotinho, garantiu nesta quinta-feira que é um político "honesto", apesar de problemas na Justiça que ainda ameaçam sua candidatura. Ele culpou os adversários políticos e a imprensa pela alta rejeição nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o último levantamento da Quaest, divulgado na terça-feira, a rejeição de Garotinho no Rio é de 68%. A rejeição apontada na sondagem, conforme Garotinho, estaria equivocada. O candidato argumentou que o levantamento utiliza a metodologia de “rejeição múltipla” e defendeu que o dado relevante seria a "rejeição única”. O ex-governador enfatizou ainda que deixou seu mandato à frente do Palácio Guanabara com 80% de aprovação, citando dados do Datafolha na época de sua gestão. Ao reagir aos índices e tentar se diferenciar de outros nomes da política fluminense, o ex-governador disparou acusações diretas contra antigos aliados e atuais rivais na disputa pelo Palácio Guanabara: “Eu sou honesto. Cabral é ladrão. Pezão roubou. Eduardo Paes é um gatuno profissional. De todos eles, é o mais esperto", acusou Garotinho, sem apresentar provas e fazendo referência direta ao adversário do PSD e aos ex-governadores fluminenses Sérgio Cabral, preso no âmbito da Operação Lava Jato em 2016, sob acusação de comandar um esquema bilionário de propinas e corrupção, e Luiz Fernando Pezão, que assumiu o mandato e também acabou preso em 2018, enquanto ainda ocupava o Palácio Guanabara, sob acusações de integrar o mesmo esquema de repasses ilícitos. Garotinho disse que apoiou Cabral e o ex-governador Cláudio Castro nas eleições de 2006 e 2022, respectivamente, por questões políticas, mas que retirou o apoio quando eles “começaram a roubar”. O postulante do Republicanos ressaltou que avisou Cabral de que ele seria preso por ter montado um "governo para roubar". Na última eleição estadual, argumentou que não teve outra escolha a não ser apoiar Castro, já que a única alternativa competitiva era Marcelo Freixo, então no PSB. O candidato do Republicanos afirmou que a mídia o associa erroneamente a prisões por corrupção ocorridas durante os governos de seus adversários, ignorando que sua detenção não teve relação com sua gestão enquanto governador do Estado. Garotinho argumentou que suas prisões ocorreram enquanto era secretário municipal em Campos dos Goytacazes — município localizado na região norte fluminense e principal reduto político de sua família —, e que foram uma tentativa de forçá-lo a recuar de suas denúncias contra a "quadrilha" que administrava o Estado, liderada por Cabral. A validade da candidatura de Garotinho para as eleições deste ano ainda é motivo de disputa judicial. O ex-governador foi condenado em 2018 por desvios na área da Saúde na época em que era secretário de governo na gestão de sua esposa, Rosinha Garotinho. Os efeitos da condenação, que podem deferir ou não sua candidatura, ainda estão sob julgamento nas instâncias eleitorais. Ao comentar o caso, Garotinho explicou que, quando exercia o cargo de secretário na gestão da esposa, assinou um ofício contrário à terceirização de um órgão do estado. Ele sugeriu que a promotora responsável pelo caso teria conflito de interesses, alegando que o filho dela trabalhava no gabinete de Eduardo Paes, e insinuou ser vítima de perseguição política. "Meu governo incomodou interesses de uma máfia que governa o Rio há muito tempo e que eu enfrentei", apontou. Na última pesquisa Quaest, divulgada na terça-feira, Garotinho aparece em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto. Paes lidera a disputa, com 39% das preferências, conforme o levantamento. O segundo colocado é o candidato do PL, o deputado estadual Douglas Ruas, com 18%. Cyro Garcia (PSTU) e William Siri (Psol) registraram 2% e 1%, respectivamente. Os indecisos somam 16%, enquanto brancos, nulos e pessoas que não pretendem votar totalizam 14%. A série de entrevistas foi aberta na terça-feira, com Ruas. Já Siri foi sabatinado na quarta-feira. Paes fecha a programação, na sexta. Cada entrevista tem uma hora e meia de duração. As sabatinas são realizadas no estúdio da redação do O Globo e conduzidas pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende, pelo editor de Política dos jornais O Globo e Extra, Thiago Prado, pelo colunista Bernardo Mello Franco e por Francisco Góes, chefe da sucursal do Valor no Rio.