Em sabatina do GLOBO, Extra, Valor e da CBN nesta quinta-feira, o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) minimizou o fato de ser o candidato ao governo do Rio com maior rejeição, segundo pesquisas eleitorais, e afirmou que suas prisões nos últimos anos não tem relação "com a ladroagem" promovida por outros governadores, citando nomes como Cláudio Castro (PL) e Sérgio Cabral (MDB). O candidato do Republicanos ao Palácio Guanabara alegou ainda não ter divulgado um suposto vídeo de uma festa oferecida pelo banqueiro Daniel Vorcaro a autoridades por ter se incomodado com a divulgação dada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ao caso. A entrevista teve início às 10h30 e tem uma hora e meia de duração, com transmissão ao vivo na rádio CBN, nos sites dos jornais e no YouTube (assista no link abaixo). No início da sabatina, Garotinho foi questionado sobre o fato de ter deixado o governo do Rio com alta aprovação em sua última passagem, em 2002, e ainda assim aparecer hoje com a maior rejeição do eleitorado. A última pesquisa Quaest para o governo do Rio apontou que 68% dos entrevistados dizem que "conhecem e não votariam" em Garotinho, o maior número entre os demais candidatos. O candidato do Republicanos atribuiu esta rejeição ao noticiário sobre prisões e investigações contra todos os governadores eleitos do Rio nos últimos 30 anos, e disse que isto "dá a impressão de que sou responsável pela ladroagem e pela safadeza que Sérgio Cabral, Pezão e Cláudio Castro fizeram". Segundo Garotinho, suas prisões ocorreram por "equívocos administrativos", e não por "roubo". -- Minha prisão não teve nada a ver com o governo do estado. (...) Fiz denúncias à Procuradoria-Geral da República sobre a quadrilha liderada pelo (então governador) Sérgio Cabral. Você há de convir que, batendo de frente com o grupo que eu bati, eu ia ter desgaste. Deveriam explicar por que eu fui preso. Garotinho já foi preso em uma investigação por compra de votos e por supostas irregularidades na construção de casas populares no município de Campos dos Goytacazes quando sua esposa, Rosinha, era prefeita. O ex-governador também foi condenado pela Justiça do Rio por improbidade administrativa por supostos desvios na secretaria estadual de Saúde quando Rosinha era governadora, e trava uma batalha jurídica no Tribunal Superior Eleitoral para manter-se candidato neste ano. Na sabatina desta quinta-feira, Garotinho ironizou as sucessivas prisões de que foi alvo e disse que "não chegou a passar quatro dias" detido, porque "entrava e saía no mesmo dia". Cabral e Pezão tiveram condenações e foram presos na Operação Lava-Jato, mas posteriormente foram soltos. Castro foi alvo de três operações da Polícia Federal nos últimos meses por suspeitas de irregularidades em seu governo, e não foi preso. Na sabatina, porém, Garotinho afirmou que Castro também será preso, e disse ter previsto o mesmo em relação aos ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar (União) e Thiago Rangel (Avante), seus adversários políticos em Campos, e que acabaram presos. Alianças políticas Embora hoje critique outros ex-governadores, Garotinho foi questionado na sabatina sobre o fato de ter apoiado a primeira eleição de Cabral, em 2006, e a reeleição de Castro em 2022. Ele argumentou ter inicialmente apoiado Cabral em prol da governabilidade, mas que "retirou" o apoio quando viu que ele havia "montado governo para roubar". Já em 2022, Garotinho lembrou ter tentado ser candidato pelo União Brasil, mas sugeriu que Castro "comprou o apoio" da sigla. Ainda assim, ele justificou o apoio por ter resistência a se aliar à candidatura de Marcelo Freixo, pelo PSB, rival que melhor pontuava nas pesquisas contra Castro. -- Com relação ao Castro, fiquei em uma situação complicada. Era ele ou o Freixo. Eu tentei ser candidato contra o Cláudio Castro. Compraram os partidos, me deixaram sem poder participar -- argumentou. Garotinho também evitou declarar apoio a algum candidato à Presidência neste ano, e fez críticas ao atual presidente Lula (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparecem à frente nas pesquisas. O ex-governador afirmou que nenhum deles tem propostas para acabar com a "concentração de renda provocada pelo sistema financeiro e essa política de juros altos", que ele apontou como principal problema do país. No entanto, Garotinho afirmou que não vai "anular o voto". Suposto vídeo de festa de Vorcaro Garotinho também foi questionado, na sabatina, sobre entrevistas recentes nas quais afirmou ter um vídeo de uma suposta festa oferecida por Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, a autoridades dos três Poderes no sul da Bahia. O episódio já foi citado em outros momentos como a "noite das astronautas", por supostamente contar com mulheres trajando apenas capacetes desse tipo. O candidato do Republicanos alegou não ter divulgado o material, que teria 12 minutos de duração, porque a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) citou de forma "indevida" o vídeo, para sugerir uma suposta presença de Flávio Bolsonaro -- que travava à época uma briga familiar com a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Garotinho disse que Flávio não participa do material ao qual supostamente teve acesso, e também alegou não ver "utilidade" em divulgar o vídeo em meio à campanha ao governo estadual. -- A senhora Michelle fez uso indevido do que ela não viu. Insinuou coisas que não havia no vídeo. Nesse evento em Porto Seguro estavam lá pelados ministros do Supremo, deputados federais, senadores, um monte de mulher de capacete. Você acha que eu quero brigar com o Supremo Tribunal Federal numa hora dessas? -- alegou. Segurança pública Na sabatina, Garotinho também procurou diferenciar sua proposta de um "Bope 2.0", para ocupação e retomada de territórios dominados por facções criminosas, do antigo programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) implementadas no governo Cabral. Segundo o candidato do Republicanos, seu objetivo é aumentar o efetivo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para fazer operações de ocupação. Segundo o ex-governador, as UPPs não deram certo por terem se expandido com "viés eleitoral" e porque permitia "que os bandidos todos saíssem, sem ninguém ser preso". Garotinho também criticou a megaoperação no complexo do Alemão e na Penha, em outubro de 2025, na gestão Castro, que deixou mais de 120 mortos. -- A UPP foi marketing, não foi segurança. E nessa operação do Alemão (em outubro de 2025), no dia seguinte a perícia não podia entrar. Primeiro tem que entrar a força de ocupação, sem tempo para sair. Esse Bope vai ter cinco mil homens, e para fazer esse tipo de operação vamos precisar de 600 a 700 homens dessa força especial. Junto dela, entra a Polícia Civil, que faz um mapeamento de locais com armas e drogas. Junto deles entra a tropa social, com programas pra jovens, com saúde de educação. Não adianta só mandar polícia -- argumentou. Garotinho também disse que uma iniciativa de uma polícia de proximidade chegou a ser implementada em seu governo, com o chamado Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae), que iniciou sua atuação pela favela do Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul do Rio. Ele ponderou, porém, que tratava-se de uma iniciativa "experimental" à época. Ampliação de barcas no lugar da Linha 3 do metrô Na sabatina, o ex-governador defendeu que a Linha 3 do metrô, antigo projeto para ligar a capital fluminense a Niterói e São Gonçalo, seja feita através de "super barcas velozes", e não sob trilhos. Garotinho argumentou que se trata de uma solução financeiramente mais viável para a mobilidade urbana, inclusive para a região metropolitana e a Zona Oeste da capital. -- Em vez de fazer por baixo (da Baía de Guanabara), vamos fazer 70 linhas com super barcas velozes. Vamos integrar toda a região metropolitana, inclusive a Barra da Tijuca. Custará dez vezes menos do que se fizesse escavação. A Linha 3 será um metro de superfície feito por barcas -- argumentou. Série de sabatinas As sabatinas, realizadas no estúdio da redação do GLOBO, são conduzidas pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende; pelo editor de Política do GLOBO e Extra, Thiago Prado; pelo colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco; e por Francisco Góes, chefe da sucursal do Valor no Rio. Com qual candidato ao governo do Rio você mais se identifica? Faça o teste do GLOBO e descubra Em agosto, GLOBO, Valor e CBN fizeram sabatinas os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). Estão programadas ainda sabatinas com os candidatos ao governo de Minas e debates entre os postulantes ao Senado no Rio e em São Paulo.