Cerca de 15 famílias pediram que a Justiça apure o que Anne Hidalgo e Emmanuel Grégoire sabiam sobre suspeitas de agressões sexuais contra crianças e quais medidas foram tomadas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, e a ex-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, chegam a uma cerimônia nacional em homenagem ao ex-primeiro-ministro francês Lionel Jospin, no Hotel des Invalides, em Paris, em 26 de março de 2026. — Foto: AFP A Justiça francesa abriu uma investigação para apurar se a ex-prefeita de Paris Anne Hidalgo e seu sucessor, Emmanuel Grégoire, agiram para remediar casos denunciados de agressões sexuais em escolas da capital. A investigação foi anunciada nesta quinta-feira pela promotora de Paris, Laure Beccuau, após uma denúncia apresentada por cerca de 15 famílias reunidas em torno da associação MeTooEcole. As famílias têm filhos matriculados em diferentes escolas e pediram à Justiça que examine o que os governantes sabiam sobre as supostas agressões cometidas por monitores de atividades extracurriculares e se tomaram medidas para interrompê-las. — Recebemos as denúncias e as investigações foram abertas — declarou Beccuau à rádio France Inter. Segundo a promotora, várias denúncias “de diferentes origens” foram agrupadas. O que as famílias denunciam A denúncia mais recente, apresentada pelo coletivo de famílias, menciona a colocação deliberada em perigo da vida de terceiros, a omissão de socorro a uma pessoa em perigo e a falta de denúncia de crimes que afetavam crianças, algumas delas com idades entre dois e quatro anos. O escândalo veio à tona no início de 2025. Nos últimos meses, porém, casos de abusos sexuais contra menores têm ocupado as manchetes na França. Segundo a Comissão Independente sobre Incesto e Agressões Sexuais contra Crianças (Ciivise), uma criança é vítima de violência sexual a cada três minutos no país. Desde o início de 2026, a Prefeitura de Paris suspendeu 132 monitores de atividades extracurriculares. Desse total, 52 foram afastados por suspeitas de violência sexual ou sexista. Em 2025, foram 20 suspensões por esse motivo. Ao assumir o cargo em março, o socialista Grégoire, que foi braço direito de Hidalgo entre 2018 e 2024, reconheceu erros e lançou um plano de ação de 20 milhões de euros, equivalente a US$ 23,2 milhões, para prevenir agressões sexuais nas escolas e creches parisienses. Hidalgo afirmou na quarta-feira que estava “ao lado das famílias” das vítimas e compartilhava “sua dor”, em entrevista à France Inter. A ex-prefeita, porém, evitou pedir desculpas.