Recursos serão destinados principalmente a reforço da vigilância nas fronteiras, aquisição de equipamentos, como câmeras térmicas, e mobilização de pessoal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Polícia Nacional da Espanha vigia migrantes que aguardam registro no distrito de Loma Colmenar, em Ceuta — Foto: Antonio Sempere/AFP A União Europeia (UE) destinou, nesta quarta-feira, uma ajuda emergencial de €114,7 milhões (R$ 680 milhões) à Espanha para apoiar a gestão da cidade autônoma de Ceuta após a chegada em massa de migrantes procedentes do Marrocos no fim de julho. De acordo com a Comissão Europeia, os recursos serão destinados principalmente ao reforço da vigilância nas fronteiras, à aquisição de equipamentos, como câmeras térmicas, e à mobilização de pessoal adicional. O pacote também tem como objetivo apoiar o retorno de pessoas em situação irregular em Ceuta e ampliar a capacidade de acolhimento de menores desacompanhados na cidade autônoma espanhola, segundo Bruxelas. A maioria dos migrantes retornou pouco depois, mas vários milhares — 5 mil, segundo o governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ou pelo menos 10 mil, de acordo com as autoridades locais de Ceuta — permanecem na cidade, muitos dormindo nas ruas e praias. Migrantes estão sentados na praia de Trampolin enquanto aguardam a entrada no CETI — centro de acolhimento temporário para migrantes — no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em 1º de agosto de 2026 — Foto: JORGE GUERRERO / AFP Juan Jesús Vivas, presidente da cidade autônoma, pediu ajuda à União Europeia na terça-feira. Integrante do Partido Popular (direita), Vivas também acusou o Marrocos de estar por trás da chegada em massa de migrantes, "por ação ou omissão". A Justiça espanhola abriu na segunda-feira uma investigação sobre a crise, baseada principalmente nesse relatório. Relatórios de inteligência e segurança que tiveram o sigilo suspenso pelo governo espanhol nesta quarta-feira alertaram para o risco de "fluxos maciços" de imigrantes a Ceuta horas antes de milhares deles entrarem no enclave norte-africano vindos do Marrocos em 30 e 31 de julho. Há uma semana, Sánchez afirmou no Congresso, ao anunciar a suspensão do sigilo destes 40 documentos que, embora existissem "relatórios de situação" sobre o estado da fronteira, "nenhuma informação indicava a magnitude" da "crise que iríamos sofrer". "Foram detectadas comunicações internas em grupos de imigrantes que tentavam organizar entradas em massa na noite de 29 de julho de 2026", afirma um documento do Cenif, uma divisão de fronteiras da Polícia Nacional, publicado na véspera da chegada de mais de 70 mil imigrantes ao pequeno território espanhol. O Cenif reporta quase mil travessias a nado a partir do Marrocos entre 1º e 28 de julho, números que "consolidam uma drástica tendência de alta em comparação com o ano passado", constituindo "uma ameaça consolidada e prioritária".