Eles serão ouvidos no inquérito que apura a atuação de servidores do Banco Central em favor do banqueiro Daniel Vorcaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gabriel Galipolo sede do Banco Central, em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo A Polícia Federal intimou o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto para serem ouvidos como testemunhas no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Também prestarão depoimento o dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO. Eles darão explicações à PF na condição de testemunhas - por isso, são obrigados a falar a verdade. Os quatro tiveram os nomes citados durante o depoimento do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Souza. Ele é investigado por receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro para favorecer o banco Master. Souza nega as irregularidades. O ex-dirigente é um dos principais alvos do inquérito que apura se ex-servidores do BC prestaram uma espécie de consultoria informal a Vorcaro em troca de vantagens financeiras. Como esse inquérito está prestes a ser concluído, é praxe que a PF ouça todos os alvos e citados antes de elaborar a lista final de indiciados. Vorcaro, por exemplo, prestou depoimento no dia 28 de agosto. Na ocasião, o banqueiro afirmou que o ex-servidor não favoreceu o Master nos processos do BC, mas admitiu ter feito a ele um "agrado" ao prestar apoio em uma viagem da família dele à Disney, no Estados Unidos. Procurados, o BC e o BTG ainda não se posicionaram sobre a intimação. A defesa de Campos Neto afirmou que não notificada pela PF. "A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentavel que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor", diz nota assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti. Em interrogatório à PF, Souza afirmou que, antes do Master ser liquidado pelo Banco Central, tratou de supostas irregularidades cometidas pelo banco com Galípolo e Aquino. Ele também relatou que, no fim de 2024, o BTG havia comunicado a descoberta de uma fraude bilionária praticada pelo Master em uma reunião com a presença de Campos Neto. Souza era diretor de fiscalização do BC e foi afastado do cargo por decisão do STF. A defesa dele tenta provar aos investigadores que ele não favoreceu o Master nos processos do BC. Além da investigação da PF, Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Belline Santana também foram alvos de uma investigação interna para entender sobre o escândalo do Banco Master. A sindicância fora iniciada a partir de uma decisão de Galípolo, tomada no fim do ano passado, como revelou O GLOBO em janeiro deste ano. As informações encontradas foram encaminhadas para a PF. Souza foi o responsável por autorizar a compra por Daniel Vorcaro do Banco Máxima, que passou a se chamar Master. Mais recentemente, atuava como chefe-adjunto do Desup e era responsável por acompanhar a solidez e a estabilidade do mercado financeiro. Belline chegou a ser cotado para substituir Souza na diretoria de Fiscalização, que hoje é ocupada por Aílton de Aquino Santos. Belline assinou diversos ofícios e despachos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal relativos ao Master.
PF intima Galípolo e Campos Neto para depor como testemunhas no caso Master
Eles serão ouvidos no inquérito que apura a atuação de servidores do Banco Central em favor do banqueiro Daniel Vorcaro






