Oitiva será a primeira com a nova equipe de defesa do ex-banqueiro, contratada para tentar negociar uma nova proposta de delação premiada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, deve depor nesta quinta-feira, às 10h, à Polícia Federal. O depoimento será o primeiro dele com a nova equipe de defesa, formada pelos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski, Bruno Borragine e André Bialski, contratada para tentar negociar uma nova proposta de colaboração de Vorcaro. O relato será tomado por videoconferência. O Valor apurou que o depoimento está mantido mesmo após os pedidos da defesa de Vorcaro para que ele fosse adiado. Inicialmente estava previsto para Vorcaro ser ouvido no inquérito sobre a atuação da "Turma", grupo que atuava como uma suposta milícia para atender aos interesses dele e sua família. Com o adiamento do depoimento sobre servidores do Banco Central que estava previsto para quinta-feira passada (20), o tema do depoimento de amanhã será a investigação envolvendo esses funcionários afastados. Segundo apurou o Valor, o objetivo destes adiamentos seria ganhar tempo para organizar as informações e apresentar uma nova proposta de colaboração premiada com novos elementos quando ele tiver que falar às autoridades. Vorcaro deve falar no inquérito que investiga a atuação do ex-chefe do Departamento de Supervisão do BC, Belline Santana, e o ex-diretor de fiscalização da autarquia, Paulo Sérgio Souza. Os dois atuavam na fiscalização do Banco Master e acompanhavam de perto a situação da instituição financeira até a liquidação. Eles foram alvo de buscas da Operação Compliance Zero neste ano após a PF identificar que eles receberam dinheiro de Vorcaro e também que eles mantinham conversas de Whatsapp com o ex-banqueiro nas quais teriam atuado para defender os interesses do Master, que foi liquidado pelo BC em novembro passado. De acordo com apuração da PF que consta na decisão do ministro André Mendonça que autorizou as buscas contra eles, Souza e Belline atuavam como “consultores” e “empregados” de Vorcaro, repassando informações, revendo documentos que seriam entregues ao BC e orientando como ele deveria se comportar em reuniões com o regulador. “Em contrapartida à atuação descrita, há indícios de que Paulo Sérgio tenha recebido vantagens indevidas associadas aos interesses defendidos junto à instituição financeira investigada, as quais teriam sido operacionalizadas por meio de mecanismos indiretos e estruturas financeiras destinadas a ocultar a natureza ilícita dos pagamentos”, diz a PF. Parte dos advogados, que fica em São Paulo, deve acompanhar o depoimento de Vorcaro por vídeo, à distância. Procurada, a defesa não quis se manifestar. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg