Corporação decide ouvir autoridades e banqueiro após o ex-diretor de fiscalização do BC Paulo Neves acusar Aquino de "omissão" e também apontar que o BTG teria sido o primeiro a identificar as fraudes no Master 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Polícia Federal intimou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, seu antecessor, Roberto Campos Neto, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, para deporem como testemunhas na investigação sobre a atuação de servidores do BC para favorecer os interesses de Daniel Vorcaro, do Banco Master, dentro da autarquia. Também será tomado o depoimento do diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Como testemunhas, eles têm obrigação de contar a verdade sobre tudo que presenciaram envolvendo os episódios investigados pela PF. A corporação decidiu ouvir as autoridades e o banqueiro após o ex-diretor de fiscalização do BC Paulo Neves acusar Aquino de "omissão" e também apontar que o BTG teria sido o primeiro a identificar as fraudes no Master. O relato foi feito pelo ex-diretor da autoridade monetária em depoimento à PF em julho deste ano, como revelou o Valor. O BTG Pactual chegou a analisar a possibilidade de comprar o Master — o BC vinha buscando uma solução de mercado para a instituição de Vorcaro, que acabou sendo liquidada em novembro. Vorcaro está preso preventivamente, acusado de fraudes financeiras no Master. Souza contou à PF que, no dia 29 de novembro de 2024, recebeu uma ligação de Aquino informando que o BTG descobriu uma fraude de R$ 32 bilhões no Master em seu processo de “due diligence”. O BTG teria feito uma apresentação para o BC em São Paulo, no dia 3 de dezembro, com a presença de Souza, Aquino, do então diretor de organização do sistema financeiro, Renato Gomes, do então diretor de política econômica, Diego Guillen; e do então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. As intimações foram determinadas pela PF no dia 3 de agosto no âmbito do inquérito que investiga Paulo Sérgio e o também ex-servidor do BC Belline Santana. Os dois atuavam na fiscalização do Master dentro da Diretoria de Fiscalização do BC e são suspeitos de receberem propina de Vorcaro para atuarem dentro da autoridade monetária para defender os interesses do ex-banqueiro. Eles foram afastados do cargo por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na terceira fase da Operação Compliance Zero, da PF. Em nota, a defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. "Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor", diz a nota, assinada por Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti. O Valor tenta contato com Galípolo e Aquino. A assessoria do BTG informou que o banco não irá se manifestar sobre o tema. O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto — Foto: YouTube/Banco Central do Brasil