Operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, negociou acordo com a Procuradoria-Geral da República 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 André Mendonça — Foto: Brenno Carvalho O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, homologou nesta quarta-feira o acordo de colaboração premiada fechado pela Procuradoria-Geral da República com o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, usada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção de “Dark horse”, o filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A homologação do acordo ocorre um dia depois de a defesa do operador se reunir com a equipe do gabinete de Mendonça para confirmar a voluntariedade da delação. A delação de Freixo Junior aponta o caminho do dinheiro dos repasses feitos ao fundo Havengate, sediado no Texas e principal financiador do filme Dark Horse. Procurado, o advogado Marco Petrelluzzi, que representa o colaborador, disse que não vai se pronunciar pois a proposta está em sigilo de Justiça. Como mostrou a coluna Malu Gaspar, 'Mineiro' confirmou à PGR ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido de Vorcaro. Na delação, o dono da Entre Investimentos contou como recebeu mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro do fim de 2024 ao início de 2025 para fazer os pagamentos ao fundo americano. Aos procuradores, ele disse que não sabia que o montante seria usado na produção do longa. O empresário também revelou no acordo que foi contatado por Paulo Calixto, que é responsável pelo fundo e atuou como advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). As conversas levaram a assinatura de uma espécie de contrato entre Freixo Junior e Calixto. Como mostrou o GLOBO, a Entre Investimentos também enviou R$ 139 milhões a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro. As movimentações, que ocorreram entre julho de 2022 e dezembro de 2025, envolvem alvos suspeitos de ligação com um esquema de fraudes no setor de combustíveis, com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e com integrantes da máfia italiana.