Aparelho foi apresentado hoje em Cupertino na primeira demonstração da estratégia do novo CEO para recolocar inovação, design e desenvolvimento de produtos no centro da empresa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ternus comandou o evento da Apple para apresentar o novo aparelho — Foto: ADAM GRAY/Bloomberg O primeiro grande lançamento de John Ternus à frente da Apple já marca um movimento de ruptura e dá uma dimensão mais clara do que o público pode esperar da nova fase da companhia. Ao apresentar seu primeiro iPhone dobrável, a Apple entra em uma categoria que já existe e é disputada por fabricantes como Samsung, Motorola e empresas chinesas, mas tenta, ao mesmo tempo, retomar uma tradição que marcou alguns dos momentos mais importantes de sua história: a capacidade de transformar tecnologias já existentes em fenômenos capazes de impulsionar setores inteiros. Foi o que aconteceu com o iPod, o iPhone e o iPad. Mais do que uma nova versão do celular, o aparelho apresentado nesta quarta-feira, em Cupertino, representa uma primeira demonstração da estratégia de Ternus para recolocar inovação, design e desenvolvimento de produtos no centro da Apple e mostrar se a empresa ainda consegue criar dispositivos disruptivos, conquistar consumidores em larga escala e, a partir deles, influenciar os rumos da indústria. Ternus chega ao comando da Apple com um perfil diferente de Tim Cook e, ao mesmo tempo, mais próximo da essência de produto que marcou a era de Steve Jobs. Engenheiro, começou sua trajetória na Apple em 2001, na área de design de produtos, e, em 2021, passou a comandar o departamento de engenharia de hardware. Ao longo de 25 anos, esteve envolvido em diferentes gerações de iPhone, iPad e Mac e, mais recentemente, no desenvolvimento do Apple Watch e dos AirPods. A apresentação já mostrou uma clara mudança. O evento começou justamente com os iPhones 18 Pro e 18 Pro Max, seguido pelos acessórios. Verdade que o dobrável ficou para o final, como a principal novidade, mas já representa uma nova estratégia em relação aos anos anteriores. Segurança reforçada: os bastidores do lançamento dos novos iPhones da Apple Ao que tudo indica, Ternus deve acelerar o desenvolvimento de novos aparelhos e categorias na empresa nos próximos anos justamente pela união entre produto e engenharia, combinação que ajudou a transformar a Apple em uma das empresas mais valiosas do mundo durante a era Jobs. Será uma trajetória diferente da de Tim Cook, cuja gestão ficou mais associada à evolução incremental dos dispositivos e ao fortalecimento das cadeias de produção e logística, com avanços na Índia e, agora, nos Estados Unidos, em um esforço para reduzir a dependência da China. Assim, os lançamentos desta quarta-feira em Cupertino, que reuniram centenas de pessoas de diferentes partes do mundo, representam uma tentativa de recolocar a inovação e os novos dispositivos no centro da estratégia da Apple. A diferença, agora, é que a empresa também precisa impulsionar a inteligência artificial generativa e ampliar o ecossistema de serviços associados aos aparelhos, especialmente em áreas como saúde, que ganham importância crescente nos negócios da companhia. Os lançamentos da Apple em 2026 1 de 8 Apple lança o iPhone Duo e estreia no mercado de celulares dobráveis 2 de 8 iPhone Duo terá duas novas cores: Branco Estrelado e Céu Noturno X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Recursos do iPhone Duo 4 de 8 Branco Pérola e Azul Noite X de 8 Publicidade 5 de 8 O iPhone Duo, primeiro aparelho dobrável lançado pela Apple — Foto: Bruno Rosa 6 de 8 Apple Watch Series 12 e Apple Watch Ultra 4 — Foto: Apple X de 8 Publicidade 7 de 8 Novas cores no iPhone Pro 8 de 8 Painel do novo AirPods 5 X de 8 Publicidade Fabricante anuncia iPhone 18, celular dobrável e novos recursos e IA É por isso que o primeiro iPhone dobrável da Apple ganha não apenas peso simbólico, mas também representa um novo desafio. A empresa precisa mostrar por que o formato faz sentido, justificar o preço elevado e entregar uma experiência suficientemente diferente para convencer consumidores que já têm um iPhone convencional e atrair aqueles que estão na concorrência, sobretudo no mercado corporativo. Por isso, não basta fazer um telefone que dobra. Especialistas com os quais conversei nos últimos dois dias afirmam que Ternus terá uma verdadeira “prova de fogo” para mostrar a eficácia de toda a engrenagem da empresa, que envolve engenharia, design, materiais, telas, dobradiças, software, produção em escala e integração entre hardware e sistema operacional. O novo CEO da Apple precisará mostrar que a entrada tardia da companhia no segmento pode resultar novamente em uma solução mais madura e integrada. Há uma frase de Steve Jobs, registrada por Walter Isaacson, que ajuda a dimensionar o desafio de Ternus: “Decidir o que não fazer é tão importante quanto decidir o que fazer”. Se Cook foi o CEO que aperfeiçoou e expandiu a Apple criada por Jobs, Ternus terá a missão de mostrar onde está a próxima grande avenida de crescimento da empresa.