O novo executivo-chefe da Apple, John Ternus, deve apresentar os mais recentes lançamentos da companhia nesta quarta-feira (9) - celular dobrável e a assistente Siri reformulada são apostas de Wall Street 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Quando o novo executivo-chefe da Apple, John Ternus, apresentar os mais recentes lançamentos da companhia nesta quarta-feira (9), Wall Street espera que o CEO demonstre que a empresa ainda é capaz de entregar inovações revolucionárias em hardware e uma assistente virtual Siri à altura da corrida da inteligência artificial. Analistas projetam que a Apple revele, em sua sede em Cupertino, na Califórnia, um novo iPhone com formato dobrável. O aparelho tem potencial para assumir rapidamente a liderança na incipiente categoria de celulares dobráveis, mesmo com uma precificação estimada acima de US$ 2.500 e especificações de câmeras e processadores que podem não liderar a indústria. A fabricante já anunciou uma reformulação profunda na arquitetura da Siri, valendo-se, nos bastidores, de recursos de IA do Google, iniciativa que pode se configurar como a primeira grande vitória de Ternus após anos de atrasos no projeto. Uma reformulação bem-sucedida abriria espaço para a Apple se equiparar ao Gemini, assistente do Google, apontam analistas. Até aqui, a base instalada de mais de 1 bilhão de dispositivos e a expressiva fidelidade de seus clientes permitiram que investidores ignorassem a largada tardia da Apple em IA generativa. Agora, Ternus enfrenta o desafio de convencer os consumidores de que os aparelhos da marca são a melhor plataforma para o uso da IA. A previsão é que a Apple atualize os modelos topo de linha iPhone Pro e Pro Max, adiando as mudanças do iPhone Air e das linhas de entrada e intermediárias para o primeiro semestre de 2027. A estratégia visa focar na principal atração do evento, o celular dobrável. “Mesmo com o preço de US$ 2.500, o dobrável da Apple vai voar das prateleiras, até porque a empresa é excelente em criar uma atmosfera de exclusividade, luxo e escassez”, disse Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da consultoria IDC. Popal calcula que o novo modelo possa render mais de US$ 45 bilhões em receitas para a fabricante até o final do próximo ano. O principal apelo do dobrável decorre do ineditismo do formato, após quase duas décadas de predomínio absoluto dos designs convencionais em barra. Embora Samsung, Google e a chinesa Huawei já comercializem modelos dobráveis desde 2019, analistas acreditam que a Apple possa se beneficiar da entrada tardia ao não incorrer em erros anteriores dos rivais. O teste central para Ternus será convencer o consumidor a adotar a nova Siri, provando a clientes e desenvolvedores independentes que a Apple consegue acompanhar o ritmo de concorrentes como a OpenAI, que implementa grandes atualizações a cada poucas semanas, contrastando com o ritmo historicamente mais comedido da gigante de tecnologia. “Se a Siri continuar ruim, ele terá uma quarta-feira bem mais complicada”, comentou Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies. “Agora eles podem afirmar com segurança que a Siri entrega resultados e tem valor, mas precisam continuar evoluindo para manter o ritmo.” Interlocutores do mercado destacam que Ternus, após manter um perfil discreto por cinco anos como chefe de engenharia de hardware da companhia, deve priorizar o lançamento de aparelhos robustos como base para processar IA diretamente nos dispositivos. O executivo, contudo, terá pela frente um caminho regulatório íngreme, adverte Gene Munster, da gestora Deepwater Asset Management, a liberação das novas funcionalidades da Siri na China pode se arrastar até 2028, e a ferramenta não estará disponível de imediato na Europa em razão de entraves regulatórios.