Especialistas alertam que mudança poderia, entre outras consequências, distorcer os dados usados para definir distritos eleitorais para o Congresso e os Legislativos estaduais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ação de excluir grande parcela de imigrantes do censo americano ameaça mudar significativamente a representação política e o volume de recursos federais destinados a cada Estado — Foto: REUTERS/Shannon Stapleton O governo do presidente Donald Trump propôs nesta quarta-feira alterar o censo nacional para incluir apenas cidadãos americanos e residentes permanentes, uma medida que poderia mudar significativamente a representação política e o volume de recursos federais destinados a cada Estado. O Escritório do Censo dos EUA apresentou a proposta pouco mais de um ano depois de Trump ordenar ao órgão ao qual o escritório está subordinado que elaborasse um novo censo que impedisse a inclusão de imigrantes que estão ilegalmente no país. O escritório realizará o próximo censo completo em 2030. As mudanças propostas nas regras excluiriam ainda mais imigrantes do censo, como aqueles que estão legalmente nos Estados Unidos em caráter temporário. As alterações propostas também eliminariam partes do questionário que buscam informações sobre raça ou etnia, incluídas desde o primeiro censo, em 1790. A proposta está aberta a comentários públicos por 30 dias. Especialistas em demografia e defensores dos direitos civis alertam que ambas as mudanças poderiam distorcer os dados usados para definir distritos eleitorais para o Congresso e os Legislativos estaduais, aplicar leis contra a discriminação e distribuir recursos federais para serviços públicos. Meeta Anand, diretora sênior do programa de censo e equidade de dados da Leadership Conference on Civil and Human Rights, disse que a iniciativa poderia ter efeitos “devastadores”, deixando cidades e Estados com populações relativamente grandes de imigrantes com recursos federais e representação política insuficientes. Os dados do censo “sustentam grande parte da nossa democracia e da nossa sociedade”, afirmou Anand. “Então começaremos a ver um retrato muito impreciso do nosso país e, em seguida, tomaremos decisões políticas, empresariais e de investimento com base em dados falhos.” A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Trump há muito critica o fato de imigrantes que vivem ilegalmente nos Estados Unidos serem incluídos no censo, usado para determinar quantas cadeiras cada Estado tem na Câmara dos Deputados dos EUA e para definir os distritos dos Legislativos estaduais. Em seu primeiro mandato, Trump tentou acrescentar uma pergunta sobre cidadania ao censo de 2020, mas foi impedido pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que decidiu que o governo federal havia apresentado uma justificativa “forjada”. A 14ª Emenda da Constituição americana determina que a representação política seja distribuída com base no “número total de pessoas em cada Estado”. A iniciativa do governo para excluir do censo dos EUA imigrantes que estão ilegalmente no país e imigrantes temporários ocorre em meio à sua ofensiva mais ampla contra a imigração legal e ilegal em todo o país. O Departamento de Justiça alertou em 2 de setembro que os Estados poderiam perder bilhões de dólares em recursos para programas de assistência social caso não informem todos os imigrantes que os órgãos estaduais saibam estar ilegalmente no país.
Governo Trump propõe excluir grande parcela dos imigrantes do censo dos EUA
Especialistas alertam que mudança poderia, entre outras consequências, distorcer os dados usados para definir distritos eleitorais para o Congresso e os Legislativos estaduais








