Avaliação da campanha petista é de que há uma seletividade por parte do ministro André Mendonça, do STF, que liberou o sigilo em alguns casos, mas manteve restrito o que atinge a família Bolsonaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Lula — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo - 3/9/2026 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta quarta-feira (9) a divulgação "completa" dos sigilos do caso Master e explicações por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à crise na Corte. É a primeira vez que o petista se pronuncia publicamente sobre o caso após a determinação do ministro André Mendonça para afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). "Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", publicou o presidente, em suas redes sociais. "Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade". O pedido dialoga diretamente com uma inquietação no PT e no entorno de Lula. O Valor apurou que os aliados do presidente veem motivação eleitoral na determinação de Mendonça para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje principal adversário do petista na disputa ao Palácio do Planalto. A avaliação é de que há uma seletividade do ministro ao liberar o sigilo de alguns casos, como as mensagens do ministro Alexandre de Moraes para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e não do caso do filme "Dark Horse", ligado diretamente à candidatura bolsonarista. "Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário", afirmou Lula. A postagem é a primeira reação direta do petista, que até então vinha ignorando o assunto publicamente. Como o Valor mostrou, não há consenso nem no governo nem na campanha sobre como lidar. Nos últimos dias, Lula tem sido aconselhado por um grupo a não se envolver diretamente na crise, enquanto outros aliados pedem que ele aja mais diretamente. A postagem está alinhada com a última fala pública do presidente sobre o assunto, na sexta-feira (4). Ao lado do presidente do STF, ministro Edson Fachin, ele afirmou, em evento no Palácio do Planalto, que caberia ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República (PGR) resolver a crise. Na noite de terça-feira, o governo pediu, via Advocacia-Geral da União (AGU), a suspensão imediata do afastamento. Nesta manhã, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo. A decisão também se aplica ao diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, que havia sido afastado do cargo junto de Rodrigues.