Medida ocorre após governo britânico impor sanções a produtos israelenses oriundos de assentamentos de colonos na Cisjordânia ocupada em protesto contra violência na região 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Israel informou ao Reino Unido que o país terá de fechar seu consulado em Jerusalém Oriental dentro de um mês, disseram autoridades israelenses nesta quarta-feira, em uma medida de retaliação às sanções anunciadas por Reino Unido, França, Canadá e outros países contra os assentamentos. As sanções estão entre as ações coletivas mais duras adotadas por importantes aliados ocidentais de Israel em relação aos assentamentos israelenses e provocaram forte reação em Israel poucas semanas antes de o país realizar eleições gerais. Embora o efeito das sanções possa ser sobretudo simbólico, elas evidenciam o crescente isolamento de Israel entre países que antes considerava aliados próximos, em razão da guerra em Gaza e da expansão dos assentamentos na Cisjordânia. O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, firme apoiador de Israel, condenou as sanções e acusou o governo britânico de “ódio aos judeus”, mas nem a Casa Branca nem o Departamento de Estado fizeram críticas contundentes à medida. Duas autoridades israelenses e outras duas fontes familiarizadas com o assunto disseram que Londres recebeu um prazo de 30 dias para fechar o consulado, que representa o Reino Unido em questões palestinas em Jerusalém, na Cisjordânia e em Gaza. Israel também proibiu 12 políticos britânicos de visitar o país, ordenou que autoridades e diplomatas britânicos na Cisjordânia e em um centro de coordenação para Gaza em Israel deixem seus postos e afirmou que o Reino Unido não poderá mais treinar as forças de segurança palestinas na Cisjordânia. Israel ainda não anunciou medidas contra França ou Canadá, que se juntaram ao Reino Unido ao afirmar que interromperão o comércio com os assentamentos, nem contra outros nove países que apoiaram as sanções britânicas. Embora as sanções do Reino Unido fossem amplamente esperadas, o líder da oposição no Parlamento israelense, Yair Lapid, disse na terça-feira que “ninguém sabia” que os outros países apoiariam a medida. O ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, disse nesta quarta-feira que lamentava a decisão de Israel de ordenar o fechamento do consulado, mas afirmou que ela não foi uma surpresa. “Pesamos os custos e benefícios de agir (...) e concluímos que simplesmente não podíamos ficar de braços cruzados por temermos uma ação israelense”, disse ele à BBC TV. Na terça-feira, Miliband, que se descreveu como um “judeu britânico orgulhoso”, disse que Israel havia “fechado os olhos” para a violência cometida por colonos contra palestinos e que a medida britânica tinha como objetivo manter viva a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino. Israel obrigada que Reino Unido feche seu consulado em Jerusalém (foto) no prazo de 30 dias após tensão envolvendo sanções britânicas — Foto: REUTERS/Jamal Awad Resposta contida dos EUA O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não respondeu a um pedido de comentário sobre o fechamento do consulado. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse no X que agradeceu a Kemi Badenoch, líder do oposicionista Partido Conservador britânico, por suas críticas às sanções. Badenoch escreveu no jornal Sun que o governo trabalhista estava “colocando seus próprios interesses político-partidários acima do nosso interesse nacional”. Saar havia classificado anteriormente a ação do Reino Unido como “moralmente distorcida” e acusado o país de “interferência flagrante nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral”. Miliband disse a parlamentares na terça-feira que, além de proibir as importações de produtos provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia, o Reino Unido também adotaria medidas contra empresas e indivíduos que prestam serviços aos assentamentos, incluindo “construção, infraestrutura, financiamento ou imóveis”. França e Canadá disseram que também proibiriam a importação de produtos provenientes de assentamentos israelenses, enquanto outros nove países, incluindo Dinamarca e Portugal, apoiaram a iniciativa britânica. Até agora, a resposta dos Estados Unidos tem sido contida. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Washington não queria ver “nada que cause desestabilização” na Cisjordânia, mas evitou comentar especificamente as sanções britânicas. Crescente isolamento diplomático O rabino-chefe do Reino Unido condenou as sanções britânicas, classificando-as como um “dia verdadeiramente sombrio”. O Yachad, grupo judaico britânico criado para apoiar uma solução de dois Estados, afirmou que o anúncio “não é anti-Israel e certamente não é antissemita” e acusou o “governo extremista” de Israel de ultrapassar praticamente todas as “linhas vermelhas” para consolidar sua “ocupação”. As sanções são amplamente consideradas por diplomatas uma medida importante, mas simbólica, já que os produtos provenientes dos assentamentos israelenses representam apenas uma fração das exportações de Israel. Ainda assim, a iniciativa evidencia o crescente isolamento diplomático do país. Uma bandeira tremula no Consulado Britânico de Israel no dia em que o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, disse que fecharia o local em resposta às sanções comerciais impostas pelo governo de Andy Burnham — Foto: REUTERS/Jamal Awad O governo israelense tem enfrentado uma condenação internacional cada vez maior pela condução da guerra em Gaza, na qual dezenas de milhares de palestinos foram mortos desde outubro de 2023, e, mais recentemente, pela expansão dos assentamentos e pelo aumento da violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia. Reino Unido, França e Canadá estão entre os países que reconheceram formalmente o Estado da Palestina em 2025 e já haviam imposto sanções contra assentamentos e ministros israelenses por acusações de incitação à violência contra palestinos.