Empresas que prosperam em ciclos econômicos voláteis sabem transformar inovação em performance organizacional duradoura. Para Alexandre Ribas, CEO da Falconi, o diferencial está em integrar gestão e tecnologia para que, juntas, se potencializem e gerem resultados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Gartner projeta que, até 2027, regulamentação de inteligência artificial deve cobrir metade das economias mundiais, movimentando US$ 5 bilhões em investimentos apenas em conformidade. — Foto: Getty Images O paradoxo que hoje ocupa as agendas de conselhos e lideranças executivas é incontornável: o investimento global em tecnologia cresce em ritmo acelerado, mas 35% das empresas ainda não conseguem demonstrar retorno mensurável sobre investimentos em seus projetos de transformação digital. A pesquisa da International Data Corporation (IDC) revela que, enquanto 39% das empresas já priorizam a governança de inteligência artificial, transformar essa prioridade em resultados duradouros e verificáveis permanece um diferencial competitivo raro. “Duas empresas podem comprar exatamente a mesma ferramenta de inteligência artificial e obter resultados completamente distintos. A diferença não está na ferramenta em si, mas na maturidade de gestão que sustenta sua adoção e na capacidade de pessoas preparadas para operacionalizá-la com excelência. Gestão, pessoas e tecnologia não são adições sequenciais — são inseparáveis. Não há tecnologia transformadora sem gestão robusta que a guie, nem gestão eficaz que ignore as possibilidades que tecnologia oferece”, afirma Ribas. Para o executivo, essa integração simultânea ganha urgência ainda maior em economias como a brasileira, em que ciclos econômicos duram, em média, apenas dois anos e meio. “Nesse contexto de volatilidade acelerada, adotar tecnologia sem uma base de gestão sólida ou sem equipes capacitadas amplia exposição a riscos, em vez de proteger a organização. Transforma investimento em inovação em passivo, não em ativo estratégico”, analisa. Performance integrada A verdadeira transformação organizacional emerge quando três elementos convergem simultaneamente: gestão que define direção estratégica clara, pessoas que executam com excelência operacional e tecnologia que potencializa capacidades humanas. Essa integração, não sequência, é o que diferencia performance organizacional excepcional de projetos isolados de transformação digital. A Falconi, reconhecida especialista em performance organizacional há mais de quatro décadas, aprendeu que essa integração é simultânea, não linear. “Historicamente, muitas empresas tentaram melhorar gestão, depois contratar tecnologia, depois capacitar pessoas, como se fossem etapas sucessivas. Esse modelo linear inevitavelmente falha porque cada elemento depende organicamente dos outros dois. Quando você integra os três desde o planejamento inicial — gestão que desenha o que é possível, pessoas que entendem sua importância estratégica e tecnologia que viabiliza a velocidade do mercado — emerge uma capacidade estrutural de crescimento que não pode ser replicada apenas por investimento isolado em um desses pilares”, explica Ribas. Pressão regulatória e governança A Gartner projeta que, até 2027, regulamentação de inteligência artificial deve cobrir metade das economias mundiais, movimentando US$ 5 bilhões em investimentos apenas em conformidade. Para empresas que já enfrentam exigências complexas de governança de dados, soberania digital e segurança da informação, essa realidade reforça uma verdade incômoda: performance organizacional integrada não é mais apenas vantagem competitiva. É requisito obrigatório para operar com segurança jurídica, reputacional e operacional. “Sem processos claros, times preparados e metas bem definidas alinhadas à tecnologia adotada, qualquer investimento em inovação se transforma apenas em mais uma camada de complexidade sobre operações que já não sabem para onde vão. A direção estratégica deve vir primeiro, claramente; a tecnologia amplifica essa direção e a acelera”, observa o CEO da Falconi. Alexandre Ribas, CEO da Falconi: “Gestão, pessoas e tecnologia não são adições sequenciais — são inseparáveis. Não há tecnologia transformadora sem gestão robusta que a guie, nem gestão eficaz que ignore as possibilidades que tecnologia oferece.” — Foto: Divulgação Competências humanas como fator crítico O Fórum Econômico Mundial projeta que inteligência artificial impactará 86% das empresas globais até 2030. Paradoxalmente, entre as competências mais valorizadas pelo mercado nos próximos anos destacam-se pensamento analítico sofisticado, resiliência frente a mudanças e liderança transformacional, habilidades essencialmente humanas que nenhum modelo de IA substitui. Para Ribas, converter essa realidade em vantagem competitiva durável exige disciplina em três frentes complementares: alocação de recursos rigorosamente orientada ao que efetivamente gera valor real; capacitação contínua e adaptativa de equipes para acompanhar mudanças aceleradas; e revisão constante de processos de gestão, garantindo que cada investimento em tecnologia dialogue harmoniosamente com a estratégia de longo prazo da organização. “Uma empresa pode deter o melhor modelo de inteligência artificial disponível no mercado, mas, se a organização não está estruturada e preparada para absorver e operacionalizar essa tecnologia com maestria, o investimento vira apenas mais uma linha no orçamento de TI, sem gerar retorno significativo. Perenidade não vem de um único salto tecnológico heroico. Vem da capacidade contínua, deliberada e sistemática de integrar inovação em uma estrutura de gestão sólida, processualmente rigorosa e humanamente preparada”, reforça. O diferencial na volatilidade É exatamente essa integração tripartida entre gestão robusta, pessoas desenvolvidas e tecnologia bem governada que distingue as organizações nota 1000 daquelas que buscam apenas acompanhar tendências momentâneas do mercado. Enquanto consultores prometem transformação digital como solução isolada e milagreira, as empresas que atravessam ciclos econômicos sem perder relevância estratégica entendem que performance organizacional é um conceito que abraça simultaneamente os três pilares. “Gestão, pessoas e tecnologia formam uma tríade infalível de transformação duradoura. Quando bem integradas desde o desenho estratégico, não apenas resolvem problemas operacionais de hoje, mas preparam organizações para desafios que ainda nem imaginamos. Essa capacidade de antecipar, adaptar com agilidade e crescer com consistência é precisamente o que constrói perenidade em mercados voláteis como o nosso”, conclui Alexandre Ribas. A urgência de empresas brasileiras é cristalina: o tempo de adaptação encolheu dramaticamente e a complexidade cresceu exponencialmente, mas a oportunidade de destravarem valor oculto através de performance organizacional integrada nunca foi tão acessível e viável. Porque não se trata apenas de comprar tecnologia mais sofisticada. Trata-se de construir organizações extraordinárias nas quais gestão, pessoas e tecnologia se transformam mutuamente em realidade estratégica e operacional.