A imprensa internacional noticiou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da instituição, delegado Leandro Almada, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na terça-feira (8). Ao destacar o caso, o jornal espanhol El País afirmou que a decisão do magistrado "representa uma escalada da guerra interna dentro do tribunal politizado". A reportagem também ressalta que tudo ocorre às vésperas de eleições presidenciais marcadas para outubro. "A forma como a crise no Supremo Tribunal Federal evoluir poderá influenciar as eleições de 4 de outubro", diz o El País. Em comunicado assinado pelos 11 diretores, indicados por Rodrigues, eles classificam o afastamento do diretor-geral da PF como "ataques injustificados" e repudiaram acusações de atuação "não republicana". "O caso desencadeou uma disputa entre Moraes, o juiz sob suspeita, e seu colega André Mendonça, que está investigando o ocorrido e suspendeu provisoriamente o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de seu cargo", diz o El País. O jornal afirma ainda que "nunca antes o Supremo Tribunal Federal havia vivenciado uma crise de tamanha magnitude". Crise 'arrasta governo Lula para o turbilhão' Andrei Rodrigues foi afastado do cargo — Foto: Getty Images via BBC O caso também foi noticiado pelas agências Reuters e Associated Press (AP). Na reportagem de título "Crise na Justiça brasileira se agrava com ordem judicial de suspensão do chefe da Polícia Federal", a Reuters afirma que o afastamento de Rodrigues "representa um novo capítulo" no conflito no STF. "Moraes é uma figura poderosa no Brasil. Sua perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados por um plano de golpe para reverter a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022 levou à condenação do ex-presidente no ano passado", diz a Reuters. "Líderes da oposição de direita têm buscado associar o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva a Moraes, enquanto usam a crise judicial para impulsionar a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente." A AP também afirma que o conflito no STF "arrasta o governo" de Lula "para o turbilhão que antecede as eleições". Faltando menos de um mês para o primeiro turno da eleição presidencial, marcada para 4 de outubro, Lula tem 38% de intenção de votos, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 33% da preferência do eleitorado, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Nas simulações de segundo turno, quando o cenário mais provável até aqui é de uma disputa entre Lula e Flávio, Flávio aparece com 45% e Lula, com 44%, segundo as pesquisas divulgadas até terça-feira (8). Em caso de haver segundo turno, a votação será em 25 de outubro.