No início de 2017, uma onça (31,1 grama) de ouro valia cerca de US$ 1.150. Hoje, vale aproximadamente US$ 4.440. No caminho, chegou a quase US$ 5.600, recorde histórico alcançado em janeiro deste ano. Em menos de uma década, portanto, o metal chegou a multiplicar seu preço por quase cinco e, mesmo depois da forte correção deste ano, acumula valorização próxima de 290%.Não foi uma trajetória linear. O ouro caiu em 2018 e 2021, ficou parado em 2022 e então acelerou: subiu 13% em 2023, 27% em 2024, e cerca de 63% em 2025. O movimento é tão expressivo que o Financial Times o classifica como o terceiro grande bull market do ouro desde que o metal passou a flutuar livremente. Um movimento recente do Banco Central da Holanda chama a atenção: a transferência de parte de suas reservas em ouro de Nova York e Ottawa para Londres Foto: Mike Groll/APPUBLICIDADEO primeiro ciclo de crescimento foi entre 1971 e 1980, seguido do período de 1999 a 2011, e o terceiro começa em 2018 e vem até hoje. Mas, a questão aqui é: porque esse metal continua subindo mesmo quando algumas das variáveis que historicamente deveriam derrubá-lo passaram a conduzir o preço para cima? Deixando uma longa narrativa bem curta, quando os juros reais subiam o preço do ouro caia. Entretanto, de março de 2022 a outubro de 2023 os juros americanos subiram e o metal, em vez de cair muito, subiu 7%. Uma marca que temos como possível para essa ruptura é fevereiro de 2022, quando os US$630 bilhões das reservas internacionais russas foram congeladas. Mas, por que o preço do ouro não para de subir? O ciclo vitorioso do ouro começa como uma história de juros e política monetária. Depois da pandemia, tornou-se também uma história de inflação e diversificação. A partir de 2022, ganhou um terceiro motor: a geopolítica fez com que os bancos centrais começassem a ver a questão das reservas internacionais com outros olhos. Anteriormente, administrar reservas internacionais significava equilibrar segurança, liquidez e retorno. A geopolítica acrescentou uma quarta variável: jurisdição.PublicidadeA despeito dos investidores privados continuarem bastante sensíveis a juros, ao dólar e a expectativas, os bancos centrais parecem responder crescentemente a uma lógica estratégica. Um movimento recente do Banco Central da Holanda chama a atenção: a transferência de parte de suas reservas em ouro de Nova York e Ottawa para Londres.Aqui, quase um paradoxo: para proteger o ouro da situação geopolítica, pode perder-se parte da liquidez que faz dele uma reserva internacional. O ouro guardado no exterior é mais fácil de usar, mas pode ser bloqueado. Guardado em casa, é mais difícil de bloquear – mas, também mais difícil de usar.Em um mundo mais conflituoso, talvez a questão mais importante sobre uma reserva tenha deixado de ser o seu valor. Passou a ser onde ela está e se continuará disponível quando o país realmente precisar dela. Vale ler tambémMuito além das commodities: o agro nacional rumo às prateleiras do mundoSteve Jobs construiu a Apple; Tim Cook a transformou na maior empresa do mundoFalta de terrenos em SP ajuda a ampliar projetos de galpões ao interior
A geopolítica fez com que os BCs passassem a ver suas reservas internacionais com outros olhos
O ciclo do ouro começa como uma história de juros e política monetária; após a pandemia, tornou-se também de inflação e diversificação; em 2022, ganhou um terceiro motor: a geopolítica











