PIB regional mais que dobrou em pouco mais de uma década, enquanto infraestrutura e novos investimentos abrem espaço para setores como hidrogênio verde e data centers 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 — Foto: Arte/Valor Foco em infraestrutura, inovação, transição energética e atração de investimentos privados consolidam a trajetória de crescimento econômico do Nordeste. Em pouco mais de dez anos, o Produto Interno Bruto (PIB) regional mais que dobrou, passando de R$ 724 bilhões para R$ 1,76 trilhão, segundo relatório do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Pelos dados do Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), entre janeiro e maio deste ano, o Nordeste cresceu 2,7% e o Brasil, 1,2%. A maior expansão se deu em Pernambuco, cujo crescimento, de 5,1%, foi também o segundo maior entre os Estados brasileiros. Ceará e Paraíba mantêm projeções de taxas significativas de crescimento, impulsionados pelo setor de serviços e investimentos em obras estruturantes. “As perspectivas de crescimento para a região em 2026 indicam um avanço do PIB que pode superar a média nacional prevista para algo em torno de 2% e chegar, no caso de projeções mais otimistas, perto de 3%”, diz João Mário de França, pesquisador do Centro de Estudos para Desenvolvimento do Nordeste do FGV Ibre. “Esse resultado está sendo puxado principalmente pelo dinamismo dos serviços, investimentos em infraestrutura e energias renováveis”, destaca. Segundo Francisco Alexandre, superintendente da Sudene, o desempenho recente da economia nordestina reflete a capacidade da região de diversificar suas fontes de crescimento e aproveitar vantagens competitivas estratégicas. “O Nordeste vive um momento diferente porque conseguiu construir uma base econômica mais diversificada e resiliente”, diz. — Foto: Arte/Valor O dinamismo também vem sendo favorecido por um mercado de trabalho positivo, com queda na taxa média de desemprego e sustentação da renda, o que amplia a capacidade de consumo das famílias e ajuda a manter a demanda doméstica aquecida, analisa Henrique Danyi, economista do Santander. De acordo com levantamento do BNB, a taxa de desemprego na região caiu de perto de 19% em 2021 para ao redor de 8% e foram geradas mais de 347 mil vagas formais nos últimos 12 meses. Entre os setores, a indústria é o que tem a melhor projeção de crescer (2,1%), seguida pelos serviços (1,9%), indica Danyi. Porém, a Braskem, maior empresa da região com receita de R$ 70,7 bilhões em 2025, entrou com pedido de recuperação judicial no fim de agosto. O grupo Equatorial, com atuação na área de energia em vários Estados da região, destacou-se com receita líquida de R$ 52,1 bilhões. O grupo segue uma trajetória de crescimento sustentável, com foco na execução de sua estratégia, eficiência operacional e geração de valor de longo prazo. “Ao longo de 2026, a companhia tem avançado na consolidação de suas operações tanto em energia quanto em saneamento, ampliando investimentos em infraestrutura, tecnologia, inovação e qualidade dos serviços essenciais prestados à população”, informa a empresa. Neste ano, há indicações de tempos mais desafiadores para a região. Segundo dados do FGV Ibre, já se observa retração das exportações nordestinas aos Estados Unidos. No primeiro trimestre, a redução foi de US$ 277,1 milhões em relação a igual período do ano anterior. As novas medidas tarifárias dos Estados Unidos devem atingir setores tradicionais da região, como calçados, açúcar, mel e pescados, mas no setor elétrico, por exemplo, a situação é de demanda relativamente resiliente. Na Equatorial, a estratégia permanece voltada à disciplina financeira e operacional, eficiência, gestão de riscos e capacidade de adaptar seus investimentos às condições de mercado, sem perder de vista o planejamento de longo prazo, informa a empresa. Para avançar no desenvolvimento, a região precisa “focalizar mais na busca de investimentos do setor privado a setores onde a região, de fato, apresenta vantagem competitiva”, diz João Mário de França, do FGV Ibre. Produção de energia limpa (eólica, solar, hidrogênio verde), bioeconomia, economia digital, data centers e turismo são áreas que, segundo França, têm essa característica, já que aproveitam as vantagens naturais da região como sol, vento e sua biodiversidade, diz ele.
Valor 1000: Nordeste amplia bases do crescimento com serviços e energia limpa
PIB regional mais que dobrou em pouco mais de uma década, enquanto infraestrutura e novos investimentos abrem espaço para setores como hidrogênio verde e data centers








