A medida tem como objetivo não apenas identificar quem compartilhou informações, mas também intimidar outros que possam fazer o mesmo no futuro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Pentágono, no estado americano da Virginia — Foto: Tom Brenner/Bloomberg Investigadores do Pentágono submeteram cerca de 50 membros do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas a testes de polígrafo após vazamentos de informações para jornalistas, incluindo detalhes sobre como a guerra com o Irã criou uma escassez de munições cruciais para os Estados Unidos. A medida, segundo fontes, tem como objetivo não apenas identificar quem compartilhou informações, mas também intimidar outros que possam fazer o mesmo no futuro. Mas testes de polígrafo em massa nunca foram aplicados no alto escalão das Forças Armadas. Os testes de polígrafo foram realizados em agosto, quando uma série de reportagens foram publicadas, detalhando a diminuição dos estoques de munições, incluindo mísseis de longo alcance e interceptores Patriot. Os investigadores perguntaram aos oficiais e funcionários civis do Estado-Maior Conjunto se eles divulgaram informações confidenciais a imprensa e se forneceram informações sobre a diminuição dos estoques de munições dos EUA. Entre 1.500 e 2 mil oficiais e funcionários trabalham para o Estado-Maior Conjunto, que coordena operações, políticas e planos de guerra com comandantes de combate em todo o mundo. Em comunicado, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o departamento "não comenta assuntos internos de pessoal ou investigações, mas leva todos os vazamentos de informações classificadas de segurança nacional extremamente a sério e os investiga de acordo". "Garantir a segurança das informações confidenciais é fundamental para assegurar a segurança dos Estados Unidos e de nossas tropas destacadas em todo o mundo", acrescentou. — Nunca vi o uso do polígrafo ser tão amplo em um nível hierárquico tão elevado — disse o contra-almirante Donald J. Guter, ex-chefe da assessoria jurídica da Marinha, onde atuou de 2000 a 2002. — Na minha experiência, é algo sem precedentes. Na ocasião das reportagens reveladoras, o presidente americano, Donald Trump, classificou como "traição" a cobertura da mídia que critica a atuação dos EUA na guerra com o Irã e a escassez de munições. E, desde então, o republicano pressiona funcionários do governo para que busquem aqueles que vazam informações internas. Desconfiança no Pentágono Os vazamentos intensificaram um clima de desconfiança dentro do Pentágono, o que, segundo funcionários, foi fomentado pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. Ele bloqueou as promoções de pelo menos 80 generais, almirantes e outros oficiais durante seu mandato. O secretário de Defesa Pete Hegseth. Mais de 400 militares americanos ficaram feridos no conflito com o Irã, segundo o Comando Central dos EUA — Foto: Alex Kent/The New York Times Desde o início do ano passado, o Pentágono vem conduzindo diversas investigações sobre vazamentos de informações em resposta à cobertura jornalística sobre sua liderança, mesmo enquanto o secretário enfrentava críticas por compartilhar detalhes sensíveis sobre ataques no Iêmen em um grupo do Signal — caso que ficou conhecido como "Signalgate". Talvez por isso, desde 5 de maio, Hegseth não concedeu uma entrevista coletiva sobre a guerra no Irã e tem procurado limitar o acesso de jornalistas ao Pentágono. Trump, por sua vez, defende seu secretário e diz que ele faz um "trabalho fantástico". No mês passado, o Departamento de Defesa demitiu o editor e o diretor-geral do Stars and Stripes, um veículo de notícias financiado pelo governo que cobre assuntos militares dos EUA. Os jornalistas alegaram que a medida foi uma retaliação pela cobertura que fizeram sobre o agravamento das condições a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que atuou meses no Oriente Médio em apoio às operações militares americanas na região. Recentemente, alguns republicanos começaram a criticar publicamente Hegseth, alegando que ele está maltratando altos funcionários. "Nunca testemunhei uma gestão tão inepta dos bravos homens e mulheres que servem ao nosso país", publicou o senador Thom Tillis, membro do Comitê de Serviços Armados do Senado, pedindo ao presidente americano que substitua seu secretário de Defesa. Falta ele "se dedicar com seriedade ao trabalho vital de nossa defesa nacional e à saúde e ao bem-estar das nossas forças de combate", acrescentou o senador.
Pentágono aplica testes de polígrafo a membros das Forças Armadas após vazamentos de informações sobre a guerra no Irã
A medida tem como objetivo não apenas identificar quem compartilhou informações, mas também intimidar outros que possam fazer o mesmo no futuro











