Especialistas ouvidos pela Folha criticaram a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Os questionamentos variam em grau, mas se concentram na proporcionalidade, nos elementos que embasam a medida e no fato de o magistrado estar envolvido no imbróglio.

A determinação de Mendonça cita a realização de suposto monitoramento ilícito e produção de relatórios de inteligência irregulares pela PF. Segundo a ordem, documentos apócrifos, sem valor probatório, teriam sido produzidos para escrutinar o trabalho do ministro e do advogado-geral da União, Jorge Messias.

A AGU (A Advocacia-Geral da União) pediu nesta terça-feira (8) a suspensão da liminar ao presidente do Supremo, Edson Fachin. O argumento é de que a ordem viola a prerrogativa do presidente para indicar e destituir cargos de direção da PF. Além disso, diz que a descontinuidade na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades da corporação e gera risco de desorganização institucional.

Ivar Hartmann, professor de direito do Insper, diz que existem precedentes recentes de decisões individuais de ministros do STF que interferiram em cargos cuja nomeação cabe ao presidente da República.