Em uma manhã de domingo no mercado de Anderlecht, em Bruxelas, homens jovens abordavam os clientes: "Marlboro? Kent? Camel?", sussurravam, escondendo alguns maços de cigarro sob as camisetas.

Em poucos minutos, o FT recebeu uma oferta de entrega em domicílio. "2,50 euros (R$ 14,88) o maço se comprar 100", disse um homem de pouco mais de 20 anos. "Vou te passar meu WhatsApp, posso entregar a qualquer hora."

Um ex-policial belga, que passou décadas investigando o comércio ilegal de tabaco, observava as negociações. Os homens que vendiam os cigarros —quase certamente falsificados e produzidos localmente— eram apenas os peixes pequenos, disse ele. O "verdadeiro negócio" não estava longe dali.Durante décadas, a Europa enfrentou dificuldades para combater o contrabando de cigarros provenientes de produtores de baixo custo, como Rússia e Belarus. Agora, grupos criminosos organizados estão cada vez mais fabricando dentro do próprio bloco o que investigadores descrevem como cigarros falsificados "Made in EU".

A Europol, agência policial conjunta da União Europeia, afirma que controles mais rigorosos ao longo de toda a fronteira leste do bloco após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia aceleraram essa mudança. Ao mesmo tempo, o aumento dos impostos sobre o tabaco em mercados de preços elevados, como França, Bélgica e Reino Unido, tornou a produção local mais lucrativa para grupos criminosos.