O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou, em seu pedido de vista para ter mais tempo de analisar a decisão de André Mendonça sobre a PF (Polícia Federal), que uma das razões para examinar melhor o caso seria o risco de a medida desequilibrar a disputa eleitoral.

Mendonça determinou nesta terça (8) o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que foi indicado ao cargo por Lula. O magistrado disse que foi monitorado de forma ilegal e sistemática pela inteligência da corporação.

Na decisão, fez referência a relatórios produzidos internamente pela PF e usados por Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra ele por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Ao explicar formalmente o pedido de vista, Gilmar Mendes afirmou que era preciso aprofundar a análise da medida de Mendonça "frente a precedente vinculante deste Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADPF 1.017, na qual o Plenário assentou, em razão da paridade de armas e do dever de neutralidade do Estado em relação aos partidos políticos e candidatos, a inconstitucionalidade de decisões jurisdicionais tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral".