Em propagando eleitoral, entrevistas e discursos, ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo reforça discurso da soberania nacional, aposta do padrinho político Lula nas eleições deste ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Propaganda eleitoral de Fernando Haddad, candidato ao governo de SP pelo PT, nacionaliza discurso contra Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/ PT Diante da distância encurtada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, o petista Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, reforçou o discurso da soberania nacional, aposta do padrinho político nas eleições deste ano. Tanto na propaganda eleitoral gratuita como em entrevistas e discursos, Haddad passou a projetar a soltura de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, caso Lula deixe o cargo no próximo ano. Nesta segunda-feira (7), Haddad aproveitou o Dia da Independência para apresentar na TV um programa contendo críticas ao tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre as exportações brasileiras. “Mais de dois séculos depois, eles querem nos fazer ajoelhar de novo: antes, diante de Portugal, e hoje, diante dos Estados Unidos. Mas com as mesmas traições, gente de dentro se vendendo aos de fora”, declara o candidato. Flávio aparece no CPAC, uma conferência política conservadora, dizendo a frase “Deus abençoe a América”, em inglês. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, defende “continuar dobrando a aposta até que a pressão seja insustentável”. O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), veste o boné de campanha de Trump, com o acrônimo Maga para “Faça a América grande novamente”, e sugere ao governo Lula “entregar alguma vitória” ao presidente americano nas negociações comerciais. O material encerra com várias pessoas colocando bonés com bandeiras eleitorais de Lula, como o Bolsa Família, a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e o programa Pé-de-Meia, que concede uma poupança para jovens de baixa renda concluírem o ensino médio. Nos três programas anteriores, Haddad deu maior ênfase a questões locais, como a violência contra a mulher, a educação e a saúde. Outra diferença foi a iluminação: em vez dos tons sombrios, a gravação é feita durante um dia ensolarado. Caso Master Há ainda um esforço de Haddad de colar o caso Master no governo de Jair Bolsonaro. Desde o começo da campanha, o ex-ministro da Fazenda questiona a gestão de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, por autorizar a aquisição da instituição financeira por Vorcaro, em 2019. Nesta terça (8), em entrevista à rádio Novabrasil, de São Paulo, o candidato do PT foi além e projetou a soltura do banqueiro num eventual governo de Flávio, principal oponente de Lula este ano. — Quem liquidou o Banco Master foi o governo Lula, quem prendeu foi a Polícia Federal. Pode ter certeza do que eu vou te dizer: na hipótese de o Flávio Bolsonaro ser eleito, o Vorcaro não fica na cadeia. Eles vão é combinar o que fazer com os R$ 40 bilhões que estão fora do Brasil em nome de quem sabe Deus de quem, em fundos geridos por laranjas — alegou Haddad. Outra estratégia passa por demarcar fronteiras com a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, que teve conversas reveladas com Vorcaro e, segundo a PF, teria editado um contrato do escritório de advocacia da esposa com o banqueiro acusado de gerenciar esquema de fraudes financeiras bilionárias. Haddad passou a alegar que Lula conversa com todos os magistrados da Corte por dever institucional, ao contrário de Bolsonaro, que só teria mantido vínculos com “milícias do Rio de Janeiro”. Distância encurtada Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda colocou, pela primeira vez, Lula e Flávio numericamente empatados nas simulações de segundo turno, com 41% das intenções de voto. A prévia da primeira votação aponta o petista na liderança, com 36%, contra 29% do candidato do PL e 8% do escritor Augusto Cury, do partido Avante. Os demais marcam menos de 3% dos votos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Flávio convocou ato na Avenida Paulista neste dia 7, emulando uma tradição do pai, onde declarou que votar em Lula seria o mesmo que "votar no Alexandre de Moraes". O argumento seria de que o petista levaria à Corte quatro ministros parecidos com o indicado de Michel Temer. O evento reaproximou ainda o campo da direita, com participações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), de Minas Gerais, e do pastor evangélico Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Tarcísio optou por um discurso contra Moraes menos radicalizado do que no ano passado, apesar das circunstâncias, e cobrou uma “resposta institucional” do Supremo, a quem cabe autorizar investigações contra os membros da própria Corte, em plenário. Ele lidera as pesquisas com uma margem de 13 pontos percentuais sobre Haddad, pelos dados da Quaest de 25 de agosto, também com margem de erro de dois pontos para o índice obtido por cada candidato.