Emplacamentos chegaram a 275 mil unidades em agosto e 1,9 milhão no acumulado do ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Agosto teve 1,9 milhão de veículos emplacados, um avanço de 18,4% em relação ao ano passado — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo O mercado automotivo brasileiro manteve o ritmo de crescimento e registrou 275 mil carros, caminhões e ônibus emplacados no último mês. O resultado foi o melhor para agosto desde 2013, apesar de um salto nas importações da China. A queda nas exportações, principalmente com destino à Argentina, também preocupa o setor: o país vizinho responde por 95% do recuo das vendas externas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado de agosto ficou 22,1% acima do observado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, foram 1,9 milhão de veículos emplacados, um avanço de 18,4% na comparação com o número de emplacamentos feitos entre janeiro e agosto de 2025. — Esperamos que continue crescendo, mas obviamente, dado o segundo o segundo semestre e de algumas contingências, na nossa visão esse número terá um arrefecimento, mas sem dúvida acima de dois digitos chegaremos — projetou Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante entrevista coletiva. A participação dos veículos eletrificados no total de novos emplacamentos também mantém trajetória de alta. Em agosto, veículos elétricos e híbridos representaram 24,4% do total de veículos vendidos no país. No mesmo mês do ano passado, eram 11,8%. No ano já são 372 mil elétricos e híbridos emplacados, 125,8% a mais que entre janeiro e agosto de 2025. Modelos feitos no Brasil representam 39% desse volume, a maior parte feita com peças que vêm do exterior desmontadas (CKD) ou semidesmontadas (SKD). Exportações recuam O volume de importações alcançou 62,7 mil unidades em agosto, um crescimento de 58,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, foram 406,7 mil automóveis importados, alta de 29,8% ano contra ano, e com mais da metade tendo como origem a China. Diretor e sócio da Bright Consulting, consultoria especializada no setor automotivo, Cassio Pagliarini analisa que índice de confiança do consumidor e preços são alguns do fatores que explicam a trajetória de alta registrada nos setor, puxada pelo avanço dos eletrificados. — Compradores que antes optavam por seminovos de até um ano e meio de vida, agora estão olhando para veículos chineses novos, que têm mais tecnologia, são eletrificados e estão com preços bastante atrativos. O efeito é que a indústria de veículos novos aumenta e o preço dos seminovos cai — observa. Noutra ponta, as exportações registaram alta discreta de 2,2% de julho para agosto, mas queda de 31,7% na comparação com agosto do ano passado. Entre janeiro e o mês passado, foram 294,2 mil veículos exportados, queda de 22,9% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo Calvet, da Anfavea, o cenário é crítico tanto para carros quanto para ônibus e caminhões, e atenuado pela Argentina, onde a concorrência com montadoras chinesas também é alta. — O mercado argentino está retraído, mais competitivo, e hoje 95% das quedas das nossas exportações tem como mercado a Argentina. Isso é bastante preocupante para nós. Estamos perdendo participação de maneira muito rápida — detalhou o executivo. Pagliarini vê a dependência do mercado argentino para as exportações brasileiras de veículos como um problema estrutural, e aponta que o país precisa buscar outros mercados: — Poderiam ser outros países da América do Sul, mas sabemos que existe um bloqueio geográfico, que é a Cordilheira dos Andes. Precisaríamos ter uma ferrovia ou uma rota de navegação mais econômica do que as existentes hoje. E há também países da África, que teriam condição de importar veículos brasileiros.