Líder dos EAU teria alertado Netanyahu sobre os preparativos do Hamas dias antes do ataque que matou cerca de 1,2 mil pessoas; Gabinete do premier nega 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Premier de Israel, Benjamin Netanyahu, em entrevista coletiva — Foto: RONEN ZVULUN / POOL / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Segundo o jornal Haaretz, o presidente dos Emirados Árabes alertou Netanyahu diretamente após receber informações de um líder palestino. O gabinete do premiê nega o contato. Opositores como Gadi Eisenkot e Naftali Bennett exigem a renúncia do premiê. Eles o acusam de negligência grave diante das mortes ocorridas no ataque. O ataque do Hamas resultou em cerca de 1.200 mortes e centenas de reféns. Em resposta, a ofensiva israelense em Gaza já deixou mais de 73 mil mortos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Líderes da oposição israelense criticaram nesta terça-feira o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o acusaram de ser inapto para o cargo após o jornal israelense Haaretz revelar que o presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Mohamed bin Zayed al-Nahyan, teria alertado o premier sobre os preparativos do Hamas para o ataque de 7 de outubro de 2023 — uma informação que o Gabinete de Netanyahu nega. Segundo o veículo, o presidente emiradense falou diretamente com Netanyahu quase 10 dias antes do ataque sem precedentes do Hamas contra o sul israelense. Na conversa, o mandatário teria advertido que o grupo palestino preparava “uma grande operação”, enquanto o premier israelense, atualmente em campanha para as eleições legislativas de 27 de outubro, “não fez nada”. Questionado sobre a publicação, o Gabinete do premier afirmou que as alegações publicadas pelo Haaretz são “falsas”, destacando que Netanyahu “não recebeu nenhuma advertência dos Emirados Árabes Unidos antes de 7 de outubro”. No entanto, o comunicado acrescentou, sem mais detalhes, que é possível que os dois países tenham trocado mensagens por meio de canais de inteligência. Por sua vez, o ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou que não comentará a reportagem do jornal israelense. Também em comunicado, o órgão declarou que, quando necessário, “todas as informações relevantes de inteligência foram e continuam sendo comunicadas entre as entidades competentes”. Fontes ouvidas pelo Haaretz relataram que, durante a conversa de 45 minutos feita por telefone dias antes do ataque, o premier teria reagido “com calma” ao alerta, ressaltando que, em sua avaliação, o grupo pretendia operar na região da Cisjordânia ocupada. Netanyahu teria acrescentado, ainda, que Israel estava “preparado para qualquer cenário”, mas não repassou o aviso aos chefes do setor de defesa. Após a publicação da reportagem, Gadi Eisenkot, ex-comandante militar e um dos principais rivais de Netanyahu, acusou o primeiro-ministro de fugir de suas responsabilidades e recorrer a desculpas “patéticas”, como a de que não foi acordado cedo o suficiente na manhã do ataque. Em publicação no X, Eisenkot escreveu que o premier “recebeu dezenas de avisos antes de 7 de outubro e ignorou todos”: “Ele é inapto”, disse. Naftali Bennett, ex-premier e também candidato, disse que Netanyahu “tem responsabilidade pessoal e direta” pelas quase 1,2 mil mortes daquele dia, o mais violento da História do Estado de Israel: “Netanyahu não pode seguir no cargo nem por mais um minuto”, escreveu. As críticas também foram ecoadas pelo líder do partido Democratas, Yair Golan, que escreveu que o premier “colocou Israel em perigo”: “As histórias de ‘ninguém me acordou’ acabaram. Você sabia, você ignorou, você falhou, a culpa é sua”, escreveu. Ainda segundo investigação do Haaretz, o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, posteriormente assassinado por Israel, havia informado a um dirigente palestino que seus homens preparavam “uma tremenda operação”, que seria “como um terremoto”. O dirigente palestino, por sua vez, transmitiu a menasgem a um assessor emiradense, que a levou ao conhecimento do presidente dos Emirados Árabes Unidos. Foi a partir dessa movimentação que o líder emiradense decidiu ligar diretamente para Netanyahu e informá-lo sobre o plano, segundo o Haaretz. O jornal acrescentou que o governante dos EAU relatou mais tarde a conversa que teve com o premier e o aviso ao diretor da CIA, William J. Burns. Na ocasião, bin Zayed disse ter tentado transmitir a Netanyahu a sensação de que algo estava “prestes a explodir”. Além de massacrar civis, policiais e militares, os combatentes do Hamas sequestraram 251 pessoas em território israelense em 7 de outubro de 2023, que foram posteriormente levadas para Gaza. Entre elas havia 44 pessoas que já estavam mortas. A resposta israelense em larga escala reduziu a maior parte da Faixa de Gaza a ruínas, provocou uma gigantesca crise humanitária e matou 73.658 pessoas, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O órgão está sob autoridade do Hamas e seus números são considerados confiáveis pela Organização das Nações Unidas (ONU).