Guerra tecnológica entre EUA e China já se espalhou por vários setores de tecnologia, incluindo inteligência artificial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Oito anos depois de promotores dos Estados Unidos terem acusado secretamente a chinesa Huawei Technologies de fraudar o HSBC e outros bancos em relação a seus negócios com o Irã, o caso finalmente está a caminho de julgamento. A Huawei também enfrenta acusações de conspiração para roubar segredos comerciais de cinco empresas de tecnologia dos EUA e é acusada de mentir sobre suas operações na Coreia do Norte e de fornecer equipamentos de vigilância ao Irã para rastrear manifestantes durante protestos contra o governo em Teerã, em 2009. A seleção do júri deve começar nesta terça-feira (8) em um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York. O julgamento encerrará uma das primeiras e mais acompanhadas batalhas do governo dos Estados Unidos contra uma empresa chinesa e ocorrerá em um momento de intensificação da disputa tecnológica entre os dois países, enquanto Washington busca impedir que tecnologia americana contribua para o fortalecimento militar de Pequim. A guerra tecnológica entre EUA e China já se espalhou por vários setores de tecnologia, incluindo inteligência artificial (IA). A saga começou em 2018, com a prisão da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, em Vancouver, o que desencadeou uma crise diplomática envolvendo Estados Unidos, China e Canadá. Condenações relacionadas às acusações envolvendo o Irã reforçariam a justificativa de Washington para ter colocado a Huawei, uma das principais empresas de tecnologia da China, em uma lista comercial restritiva dos Estados Unidos em 2019, citando supostas condutas criminosas que ameaçavam a segurança nacional. O julgamento, perante a juíza federal Ann Donnelly, deve durar cerca de três meses e coincidir, em parte, com a reunião de 24 de setembro entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente Donald Trump, em Washington. Os potenciais jurados preencheram questionários de 27 páginas, que incluíam perguntas sobre suas opiniões a respeito dos governos da China e do Irã. Outras acusações incluem violação de sanções dos Estados Unidos contra o Irã, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude eletrônica e obstrução. A Huawei se declarou inocente de todas as acusações e negou qualquer irregularidade. O processo criminal se baseia, em parte, em reportagens publicadas pela Reuters em 2012 e 2013 sobre os estreitos vínculos entre a Huawei e a Skycom, uma empresa que operava no Irã. A Reuters informou que a Skycom havia oferecido vender pelo menos € 1,3 milhão (US$ 1,5 milhão) em equipamentos de informática da Hewlett-Packard sujeitos a embargo para a maior operadora de telefonia móvel do Irã, em 2010. A Reuters também informou que Meng havia integrado o conselho de administração da Skycom entre fevereiro de 2008 e abril de 2009. China afirma que caso busca enfraquecer tecnologia local Pequim critica há muito tempo o caso, afirmando que ele faz parte de uma campanha mais ampla contra a ascensão tecnológica da China. Um porta-voz da Huawei disse em comunicado no sábado que “a narrativa geral do governo é comprovadamente falsa”. Atualmente, a Huawei é uma peça central das ambições da China na área de chips para inteligência artificial e diversificou suas atividades para além de equipamentos de redes e smartphones. A empresa descreveu o processo criminal como uma tentativa de prejudicar sua competitividade e afirmou que as acusações de roubo representam uma reformulação de disputas comerciais já resolvidas há muito tempo. Caso a Huawei seja condenada, os promotores buscarão o confisco de bens ou receitas obtidos por meio de suas atividades ilegais. O processo contra a empresa foi aberto durante o primeiro governo Trump, que também adotou medidas para restringir o uso de equipamentos da Huawei nos Estados Unidos e pressionou outros países a retirar a empresa de suas redes de telecomunicações, sob o argumento de que a China poderia utilizar seus equipamentos para espionagem. A acusação formal abrange supostas irregularidades ocorridas entre aproximadamente 1999 e 2020 e acusa a Huawei de utilizar a Skycom para obter bens, tecnologia e serviços dos Estados Unidos sujeitos a embargo para suas operações no Irã e de retirar dinheiro daquele país por meio do sistema bancário internacional. Os EUA afirmaram que um banco, que não foi identificado na acusação formal, mas que fontes e documentos analisados pela Reuters apontaram como sendo o HSBC, processou mais de US$ 100 milhões em transações denominadas em dólares relacionadas à Skycom. Os promotores acusaram Meng de apresentar informações falsas sobre a propriedade e o controle da Skycom durante uma apresentação a um executivo do HSBC. Posteriormente, ela admitiu que as declarações eram falsas, como parte de um acordo com os promotores para que as acusações contra ela fossem retiradas. — Foto: Yves Herman/Reuters