Uma reformulação bem-sucedida até o final deste ano abriria espaço para a Apple se equiparar ao Gemini, assistente de sua histórica concorrente Google, apontam analistas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Quando o novo diretor-presidente da Apple, John Ternus, apresentar os mais recentes lançamentos da companhia nesta quarta-feira (9), Wall Street espera que o executivo demonstre que a gigante de tecnologia ainda é capaz de entregar inovações revolucionárias em hardware e uma assistente virtual Siri à altura da corrida da inteligência artificial. Analistas projetam que a Apple revele, em sua sede em Cupertino, na Califórnia, um novo iPhone com formato dobrável que se abre como um passaporte. O aparelho tem potencial para assumir rapidamente a liderança na incipiente categoria de smartphones dobráveis, mesmo com uma precificação estimada acima de US$ 2.500 e especificações de câmeras e processadores que podem não liderar a indústria. A fabricante já anunciou uma reformulação profunda na arquitetura da Siri, valendo-se, nos bastidores, de recursos de tecnologia de IA do Google, iniciativa que pode se configurar como a primeira grande vitória de Ternus após anos de atrasos no projeto. Uma reformulação bem-sucedida até o final deste ano abriria espaço para a Apple se equiparar ao Gemini, assistente de sua histórica concorrente Google, apontam analistas. Até aqui, a base instalada de mais de 1 bilhão de dispositivos e a expressiva fidelidade de seus clientes permitiram que investidores ignorassem a largada tardia da Apple em IA generativa. Agora, Ternus enfrenta o desafio de convencer os consumidores de que os aparelhos da marca são a melhor plataforma para o uso da inteligência artificial, prova que determinará se ele dará continuidade ao ímpeto da gestão de Tim Cook ou se ficará na posição de correr atrás do mercado. Novos iPhones topo de linha A previsão é que a Apple atualize os modelos topo de linha iPhone Pro e Pro Max, adiando as reformulações do iPhone Air e das linhas de entrada e intermediárias para a primavera. A estratégia visa concentrar as atenções na principal atração do evento, o smartphone dobrável. “Mesmo com o preço de US$ 2.500, o dobrável da Apple vai voar das prateleiras, até porque a empresa é excelente em criar uma atmosfera de exclusividade, luxo e escassez”, afirmou à Reuters Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da consultoria IDC. Popal calcula que o novo modelo possa render mais de US$ 45 bilhões em receitas para a fabricante até o final do próximo ano, ainda que a categoria de dobráveis permaneça representando uma fatia de apenas um dígito no mercado geral de celulares. O principal apelo do dobrável decorre do ineditismo do formato, após quase duas décadas de predomínio absoluto dos designs convencionais em barra. Embora Samsung, Google e a chinesa Huawei já comercializem modelos dobráveis desde 2019, analistas acreditam que a Apple possa se beneficiar da entrada tardia ao solucionar gargalos cruciais de engenharia, como uma dobradiça resistente a milhares de ciclos de abertura e a diminuição perceptível do vinco na tela. “Eles observaram o que funcionou e o que deu errado na concorrência”, avaliou Anshel Sag, analista da consultoria Moor Insights & Strategy. O momento decisivo da nova Siri O teste central para Ternus será convencer o consumidor a adotar a nova Siri, provando a clientes e desenvolvedores independentes que a Apple consegue acompanhar o ritmo de concorrentes como a OpenAI, que implementa grandes atualizações a cada poucas semanas, contrastando com o ritmo historicamente mais comedido da gigante de tecnologia. “Se a Siri continuar ruim, ele terá uma quarta-feira bem mais complicada”, comentou Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies. “Agora eles podem afirmar com segurança que a Siri entrega resultados e tem valor, mas precisam continuar evoluindo para manter o ritmo.” Interlocutores do mercado destacam que Ternus, após manter um perfil discreto por cinco anos como chefe de engenharia de hardware da companhia, deve priorizar o lançamento de aparelhos robustos como base para processar IA diretamente nos dispositivos. O executivo, contudo, terá pela frente um caminho regulatório íngreme, adverte Gene Munster, da gestora Deepwater Asset Management, a liberação das novas funcionalidades da Siri na China pode se arrastar até 2028, e a ferramenta não estará disponível de imediato na Europa em razão de entraves regulatórios. “É fundamental que o lançamento nos Estados Unidos saia dentro do cronograma, pois isso gera a confiança necessária para que consigam avançar na Europa”, pontuou Munster. Analistas projetam que a Apple revele, em sua sede em Cupertino, na Califórnia, um novo iPhone com formato dobrável que se abre como um passaporte — Foto: Michael Nagle/Bloomberg