Uma análise do DNA de diversas espécies do grupo das lagartixas trouxe novas pistas sobre os mecanismos genéticos que influenciam a evolução do sexo. Trata-se de uma história cheia de idas e vindas, que pode ter incluído a influência de mudanças ambientais e a predisposição de certos genes para se especializarem como "fazedores de machos" e "fazedores de fêmeas".
O resultado é uma diversidade espantosa. Entre esses pequenos répteis (coletivamente conhecidos como membros da infraordem Gekkota) existem espécies que têm um sistema de cromossomos sexuais parecido com o nosso —ou seja, as fêmeas normalmente têm dois cromossomos X em seu DNA, enquanto os machos, em geral, têm um cromossomo X e outro Y. Também há espécies com um sistema que é o contrário do nosso (os machos são ZZ, ou seja, com duas cópias do mesmo cromossomo sexual, e as fêmeas são ZW).
Existem também lagartixas cujo sistema de cromossomos com essa função é ainda mais complexo, envolvendo mais do que só uma dupla das estruturas, e, por fim, as que dispensam isso —o sexo de cada indivíduo é influenciado pela temperatura em que os ovos se desenvolvem, conforme acontece com outros répteis.
A bagunça é tamanha que até espécies que são primas de primeiro grau, sendo membros do mesmo gênero, adotam sistemas diferentes. É o caso da lagartixa "doméstica" comum no Brasil, a Hemidactylus mabouia, cujos cromossomos sexuais são do sistema XY, enquanto a Hemidactylus frenatus, sua prima, adota o sistema ZW.







