Um estudo inédito, que acompanhou a vida financeira de pessoas que começaram a fazer apostas online nos últimos anos, conseguiu medir o tamanho do prejuízo causado aos apostadores pelos jogos virtuais.

Ao comparar quem fez a primeira aposta após janeiro de 2025, quando o jogo foi regulamentado no Brasil, com quem ainda não tinha gastado dinheiro no "tigrinho" ou em palpites esportivos, economistas descobriram que, entre os apostadores, a proporção de pessoas em inadimplência se tornou em média 20% maior, nos 12 meses seguintes à primeira aposta, em comparação com o aumento das taxas de inadimplência entre quem não joga.

Os novos apostadores também passaram a atrasar o pagamento do cartão de crédito: a fração da conta do cartão em atraso cresceu em média 38,7% no primeiro ano depois do início das apostas, já descontada a evolução do mesmo indicador entre quem não faz apostas online.

O estudo foi conduzido por Sérgio Firpo, professor do Insper, e por pesquisadores da empresa Stone, que oferece serviços bancários e de pagamento a empreendedores e trabalhadores autônomos.

O artigo com os resultados da pesquisa, "Online Betting and Financial Distress: Evidence from Brazil" ("Apostas Online e Dificuldades Financeiras: Evidências do Brasil", em português), ainda não foi publicado em revista científica.