Um novo estudo conduzido pela fintech Klavi revela que a frequência de empréstimos tomados por apostadores foi 1,8 vez maior do que a de um não apostador durante a Copa do Mundo. O relatório, que monitora o fluxo de saldo enviado a casas de apostas, leva em conta transações realizadas entre os dias 11 de junho a 19 de julho, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Em três de cada quatro casos, a aposta precedeu o empréstimo por uma mediana de sete dias. Klavi lembra, porém, que “saber qual evento veio primeiro não é o mesmo que provar que ele causou o segundo”, o resultado total pode ser influenciado por outros fatores de endividamento.

Apesar disso, o relatório analisa ainda que a presença do crédito cresceu conforme o volume de apostas dos usuários: há indícios, portanto, de que o montante total enviado a bets durante a Copa — de pelo menos 992 milhões de reais, conforme dados da Klavi — dependeu do endividamento sistemático dos brasileiros.

A empresa coletou os dados do estudo através da tecnologia Open Finance, que permite que instituições financeiras acessem — de forma consensual — o extrato completo de seus clientes entre diversas contas bancárias, a fim de direcionar ofertas de produtos financeiros. A análise da amostra de 1,2 milhão de usuários, de forma anonimizada e normalizada, permitiu refletir o perfil da população brasileira e observar especificamente o saldo enviado entre a conta e a carteira de apostas e o fluxo líquido agregado ao longo de todo o período.