Os brasileiros gastaram 992,1 milhões de reais em apostas esportivas durante a Copa do Mundo, segundo o Placar das Bets, desenvolvido pela Klavi, primeira plataforma de Open Finance do País. Diante do bombardeio de publicidade durante as transmissões das partidas, incluindo dicas de apostas com cotações mais atrativas feitas por comentaristas esportivos, a cifra quase bilionária não causa espanto. Tampouco surpreende a reação tardia das autoridades, que agora tentam impor algum freio à jogatina desenfreada, responsável por graves prejuízos à economia e à saúde pública.

Na última semana do torneio, três capitais (Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Aracaju), além do Rio Grande do Sul, proibiram ou restringiram a publicidade de bets em mobiliário urbano e em eventos patrocinados pelo Poder Público. O Ministério da Fazenda, por sua vez, publicou uma portaria obrigando as casas de apostas online a exibir alertas aos usuários de que a “fezinha” pode gerar dependência, causar prejuízos e não deve ser encarada como forma de investimento. A iniciativa tem, porém, alcance tão limitado quanto as advertências sobre os malefícios do cigarro estampadas nos maços.

O Rio de Janeiro saiu na frente e, na segunda-feira 13, proibiu a publicidade de casas de apostas em espaços públicos. Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), a atuação das bets é “uma praga que assola as famílias cariocas e brasileiras”. No dia seguinte, Belo Horizonte adotou a mesma medida. “Não podemos, como gestores, virar as costas e achar que não temos nada a ver com isso”, afirmou o prefeito Álvaro Damião (União Brasil). Segundo ele, banir as bets não é atribuição constitucional do município, mas restringir sua publicidade é “um dever cívico e moral”. Na sequência, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), também vetou propagandas da jogatina na capital sergipana.