Num paletó riscado de brilhantes, o cantor chegou no Palco Sunset como um rei, que de fato é, “o rei da voz” 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Péricles canta Motown no palco Sunset — Foto: Alexandre Cassiano Num paletó riscado de brilhantes, Péricles chegou no Palco Sunset como um rei, que de fato é, “o rei da voz”, anunciou Zé Ricardo para apresenta-lo. Neste show, um dos mais aguardados desta edição do Rock in Rio, um dos maiores cantores de samba de todos os tempos tinha uma outra missão: defender um repertório Motown, a lendária gravadora americana que revelou nomes como Michael Jackson, Stevie Wonder, Marvin Gaye, entre muitos outros. Não foi surpresa pra ninguém que ele segurou a onda muito bem. Chegou chegando com clássicos da pesada como “Aint no mountain”, “I want you back”, do Jacksons 5, e “My girl”, dos Temptations, acompanhado de uma banda fina formada por Maurício Piassarollo (piano), Helton Fagundes (guitarra), Jorge Ailton (baixo), e Wallace Santos (bateria). E nunca poderemos dizer que Péricles, brabíssimo do pagode, saiu de sua zona de conforto. O ex-Exaltasamba estava completamente à vontade, liso no domínio absoluto das que vieram a seguir como “Cruisin” e “I Heard It Through the Grapevine”. Emocionou quando fez, com maestria, “I will be there”, famosa na voz de um Michael Jackson ainda novinho. Que versão! Quase como um professor, o cantor ainda reverenciou o Boyz II Men, grupo que deu um levante na Motown nos anos 1990, anotando-os como “uma das melhores bandas da Motown”. E é importante pontuar a importância que eles tiveram para a cena de pagode paulistana que fez história nos anos 1990, influenciando grupos como Negritude Júnior, Pixote, Katinguelê e o próprio Exaltasamba. Péricles sabe tudo. Quando tirou o paletó pra cantar “Let’s get it on”, sucesso de Marvin Gaye, e, na sequência, “For once in my life”, de Stevie Wonder, reconfirmou o que todos já sabiam, que ele canta o que quiser. Não havia nada pra tirar nem pra pôr. E ainda gastou onda com “Super Freak", um dos maiores sucessos de Rick James, lançado em 1981 pela Gordy Records, uma subsidiária da Motown. Foi uma boa seleção de clássicos como os que vieram a seguir: "Signed, Sealed, Delivered (I'm Yours)" de Stevie Wonder, e “All night long”, de Lionel Richie, e “ABC”, dos Jacksons 5. “Essa é a história de uma gravadora que mudou o nosso jeito de ouvir música, e eu estou muito feliz”, disse o paulistano, cuja felicidade era sim muito visível. Com “Superstition”, de Stevie Wonder, Pericles foi se encaminhando pro final como o rei que é, repetimos, e deixa na gente uma sensação de queremos mais, queremos disco, queremos turnê, queremos Péricles cantando Motown.