Valorização da commodity reforça as preocupações com a inflação e as expectativas de novas altas de juros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operadores na bolsa de valores Euronext NV em Paris — Foto: Benjamin Girette/Bloomberg 7Os principais índices de ações da Europa fecharam sem direção única nesta segunda-feira (7), em meio à alta dos preços do petróleo e às incertezas políticas na região. A valorização da commodity reforça as preocupações com a inflação e as expectativas de novas altas de juros. Além das tensões geopolíticas, os investidores aguardam a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, com expectativa de alta das taxas de juros, e monitoram a vitória do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt. No fechamento, o indice pan-europeu Stoxx 600 encerrou estável (-0,01%), aos 649,81 pontos. 0 FTSE 100, da Bolsa de Londres, caiu 0,08%, aos 10.822,13 pontos, enquanto o DAX, de Frankfurt, caiu 0,15%, aos 26.006,53 pontos. O CAC 40, de Paris, subiu 0,33%, aos 8.306,15 pontos. O avanço do petróleo ampliou as preocupações com a inflação e os juros na região. Os contratos futuros do Brent com entrega para novembro subiam 1,17%, a US$ 97,41 por barril, maior nível em sete semanas. O petróleo disparou quase 8% na semana passada e agora acumula alta de 35% em relação ao nível registrado no fim de fevereiro, antes do início da guerra no Oriente Médio. A valorização ocorre após Teerã afirmar que anunciará nos próximos dias uma zona de acesso restrito fora do Estreito de Ormuz, depois que forças americanas atingiram três petroleiros iranianos e a Guarda Revolucionária do Irã lançou mísseis balísticos contra dois navios da Marinha dos Estados Unidos. Os preços do diesel, combustível utilizado no transporte, na navegação, na agricultura e na indústria, atingiram níveis recordes na semana passada e estão cerca de 90% acima dos patamares anteriores à guerra. Com os preços dos alimentos e dos combustíveis em alta, aumenta a pressão sobre os bancos centrais. A expectativa é que o BCE eleve os juros para 2,75% na quinta-feira, e os contratos futuros indicam 75% de probabilidade de uma nova alta, para 3,0%, até dezembro. “A paciência dos bancos centrais diante do choque de energia tem dado suporte aos preços dos ativos e ao ciclo de crédito”, afirmou Bruce Kasman, chefe global de economia do J.P. Morgan. “No entanto, os bancos centrais agora estão se movimentando.” Além da política monetária, o cenário político europeu concentra as atenções. Na Alemanha, o AfD ficou em primeiro lugar nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt no domingo, deixando um partido de extrema direita próximo de chegar ao poder em nível estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Embora não tenha conquistado maioria e ainda esteja longe de chegar ao poder nacional, o AfD já afirmou que uma de suas propostas seria abandonar o euro. “Esse desenvolvimento é perigoso para a estabilidade de longo prazo da moeda única”, afirmou Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB. Com uma alta de juros pelo BCE praticamente dada como certa, o euro operava em leve valorização no dia, perto de US$ 1,16277. A moeda vem perdendo força desde que atingiu máximas de três meses em agosto e, diante do aumento das tensões políticas em várias frentes, pode ter dificuldades para ganhar impulso, segundo analistas. Na França, pesquisas recentes mostram que a líder de extrema direita Marine Le Pen, que no passado defendeu o abandono do euro, provavelmente venceria o primeiro turno das eleições presidenciais do próximo ano. “Os próximos anos podem trazer ondas de mudanças políticas na Europa e uma guinada à direita nas duas maiores economias. Isso pode não ser um problema para os operadores de câmbio hoje, mas é um problema para amanhã e pode explicar por que o euro é uma das moedas mais fracas em relação a seus pares até agora em 2026”, disse Brooks. O euro acumula queda de 1,1% neste ano, o pior desempenho entre as principais moedas frente ao dólar. Em comparação, o iene japonês registra uma alta de 0,7%, parcialmente impulsionado pela intervenção das autoridades, enquanto a libra avança 0,4%.